Iniciativa empresarial procura moldar gestão de riscos da IA nas infraestruturas críticas
Um grupo de altos executivos de grandes empresas está a organizar-se para abordar de forma concertada os riscos associados aos sistemas avançados de inteligência artificial. A partir do contacto pessoal do líder do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, a iniciativa tem vindo a atrair presidentes executivos de bancos, empresas tecnológicas e operadores de infraestruturas críticas, segundo informação avançada pela agência Reuters.
A aliança expande-se a partir da denominada Alliance for Critical Infrastructure (ACI), que já congregava entidades de serviços financeiros, energia, água, telecomunicações e transportes. Agora, com mais de 40 empresas envolvidas, o objetivo declarado é desenvolver um entendimento comum sobre a utilização da IA, os riscos que ela representa e as salvaguardas necessárias.
“a liderança da ACI tinha percebido a necessidade de dar prioridade à IA ‘há anos e conseguiu que as empresas’”
A intenção é não só promover a cooperação entre setores como também colaborar com a administração norte-americana nas linhas de atuação e de política pública relativas à tecnologia. Os promotores referem que incidentes recentes — incluindo ciberataques a sistemas de abastecimento de água em estados dos EUA — realçam a importância de maior partilha de informação e de preparo conjunto.
O papel de Jamie Dimon, cuja voz é seguida de perto no mundo financeiro, tem sido o de catalisador das conversas entre líderes empresariais. A ACI, da qual o JPMorgan foi um dos membros fundadores juntamente com empresas como a Mastercard e a Berkshire Hathaway Energy, foi criada para coordenar planos de resiliência intersetorial, troca de informações e resposta a ameaças que afetem infraestruturas críticas.
Do ponto de vista prático, os promotores procuram clarificar:
- Que tipos de salvaguardas técnicas e organizacionais são necessários para reduzir riscos ligados à IA.
- Como promover partilha de informação entre setores críticos sem comprometer segurança ou concorrência.
- Que linhas de coordenação com o poder público podem facilitar respostas rápidas a incidentes.
Nos próximos passos, a ACI e os participantes planeiam agendar chamadas e reuniões para discutir mecanismos de colaboração e aprofundar a avaliação dos riscos associados a modelos de IA cada vez mais potentes. Para os setores dependentes de tecnologia — de redes elétricas a serviços financeiros — a iniciativa surge como um esforço privado para antecipar e mitigar consequências que podem ter consequências operacionais e económicas significativas.
Em contexto português, embora a iniciativa seja centrada nos EUA e em grandes grupos empresariais globais, o desenvolvimento de normas e práticas internacionais sobre IA é relevante: alterações na forma como infraestruturas críticas são geridas, e as expectativas de cooperação público-privada, tendem a repercutir-se além-fronteiras, afetando cadeias de abastecimento, padrões de segurança e regulação futura.
| Setores incluídos | Objetivo principal |
|---|---|
| Serviços financeiros, energia, água | Partilha de informação e coordenação de resiliência |
| Telecomunicações, transportes | Avaliação de riscos da IA e definição de salvaguardas |