Uma nova ligação com efeitos directos na mobilidade local
O estudo de viabilidade da ligação do Metro do Porto que une o centro de Gondomar ao Estádio do Dragão entrou em consulta pública e traz números que irão condicionar decisões de circulação, planeamento urbano e ambiente no concelho. A proposta prevê um traçado de 6,9 quilómetros e 9 estações, ligando o Souto ao Estádio do Dragão e integrando-se no tronco comum da rede.
Segundo informação avançada pela Metro do Porto à Lusa, o percurso entre o Souto e o Estádio do Dragão terá uma duração estimada de 20 minutos e 28 segundos, já incluindo paragens de 30 segundos em cada estação.
O que muda para quem vive em Gondomar
Para os moradores de Gondomar, a nova linha representa a possibilidade de deslocações mais rápidas e directas para o centro do Porto e outros destinos servidos pelo Metro do Porto, sem necessidade de transbordos. O estudo aponta para uma procura anual estabilizada de 10,3 milhões de passageiros e prevê uma redução no uso do automóvel de cerca de 1,4 milhões de deslocações por ano.
Do ponto de vista prático, a linha deverá reduzir tempos de deslocação e aliviar a pressão sobre as ligações por autocarro e comboio, com impacto potencial nas receitas dos operadores rodoviários e na organização do transporte local.
- Comprimento: 6,9 km
- Estações em Gondomar: Lagoa, Valbom, Hospital Fernando Pessoa, Cosme Ferreira Castro, Oliveira Martins e Souto
- Tempo estimado: 20 minutos e 28 segundos (Souto — Estádio do Dragão)
Impactos ambientais e custos
O estudo inclui também custos e efeitos ambientais que terão de ser geridos ao longo do processo. O investimento previsto varia entre €146,9 milhões e €163,8 milhões. A construção poderá implicar a remoção de até 533 árvores (número que pode descer para 394) e a demolição de 24 edifícios. A obra tem uma duração estimada de cerca de três anos e já conta com financiamento assegurado pelo programa europeu Sustentável 2030, que reserva no total €225 milhões para esta linha e para a ligação à Trofa.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Comprimento | 6,9 km |
| Estações | 9 |
| Tempo estimado (Souto—Dragão) | 20m28s |
| Investimento previsto | €146,9M — €163,8M |
| Financiamento disponível | €225M (programa Sustentável 2030) |
| Árvores potencialmente removidas | 394 — 533 |
| Edifícios a demolir | 24 |
Entre as estações previstas no concelho destacam-se Valbom e Hospital Fernando Pessoa, apontadas pelo estudo como potenciais captadoras de novos utilizadores. A ligação não funcionará isolada: integrará o tronco comum entre a Senhora da Hora e o Estádio do Dragão, permitindo viagens directas para várias linhas da rede.
Próximos passos e dúvidas locais
O documento segue para consulta pública e o concurso para a conceção e construção deverá ser lançado ainda este ano. A concretização depende agora de decisões técnicas, ambientais e de projecto, bem como de eventuais ajustamentos resultantes da participação pública.
Para a população de Gondomar, as principais interrogações residem nos locais exactos das estações, impactos sobre zonas verdes e edificadas, e nos itinerários de circulação provisória durante a obra. A redução prevista do uso do automóvel e o aumento estimado de 9% nos utilizadores da rede do Metro do Porto são argumentos fortes a favor da intervenção, mas exigem medidas de mitigação e acompanhamento social e ambiental.
O avanço para a construção poderá transformar a mobilidade diária no concelho, aproximando Gondomar do centro urbano e modificando fluxos de deslocação, comércio e uso do solo a médio prazo.