Congresso arranca em Sintra com disputa pela direção e mudanças na liderança
O 17.º Congresso do Livre iniciou os trabalhos em Sintra, no Hockey Club de Sintra, reunindo cerca de 500 congressistas entre presencial e online. A sessão marca uma fase de reorganização interna do partido, depois do anúncio da saída de Rui Tavares do cargo de porta‑voz, embora este declare a intenção de permanecer na direção com responsabilidades na área da estratégia e comunicação.
Do ponto de vista estatutário, este congresso serve para eleger os órgãos nacionais para os próximos dois anos, com especial enfoque na eleição do Grupo de Contacto (que funciona como direção política). Ao todo apresentam‑se três listas concorrentes à direção, fórmula que traduz uma disputa interna e diferentes propostas sobre o modelo de liderança e relação com as bases.
- Lista A: coordenada por Isabel Mendes Lopes (porta‑voz e líder parlamentar), com Jorge Pinto como número dois; prevê a dupla de porta‑vozes.
- Lista S: encabeçada por Rodrigo Brito, que defende maior desconcentração de poder.
- Lista V: liderada por Tiago Mota, também crítica face à centralização das decisões.
Na lista A destaca‑se ainda a candidatura de Rui Tavares a um lugar na direção, com a proposta de assumir o "pelouro da estratégia, comunicação e formação". A mesma lista traz outra novidade organizativa: a figura do secretário‑geral, um cargo proposto para a gestão operacional e coordenação da equipa, ao qual se candidata Tomás Cardoso Pereira.
| Elemento | Posição na lista A |
|---|---|
| Isabel Mendes Lopes | 1 (porta‑voz candidata) |
| Jorge Pinto | 2 (candidato a porta‑voz em dupla) |
| Rui Tavares | 3 (propõe pelouro de estratégia, comunicação e formação) |
| Tomás Cardoso Pereira | candidato a secretário‑geral (gestão operacional) |
As outras duas listas, S e V, traduzem críticas semelhantes: ambas apontam para uma excessiva centralização nas figuras dos porta‑vozes e do grupo parlamentar, e defendem maior democracia interna e aproximação às bases do partido. A eleição do Grupo de Contacto será feita pelo método de Hondt, garantindo representação das diferentes candidaturas.
Para além da direção, os congressistas vão eleger também a Assembleia — órgão máximo entre congressos — composta por 50 membros, e o Conselho de Jurisdição, com candidaturas em curso. O resultado destas eleições determinará o equilíbrio interno e a linha política praticada pelo Livre nos próximos dois anos, nomeadamente a relação com outras forças políticas à esquerda e a estratégia parlamentar.
Este congresso assume‑se assim como momento de clarificação estratégica: terá impacto sobre a governação do dia‑a‑dia do grupo parlamentar e sobre a capacidade do partido de articular ação e formação de quadros, sobretudo se se confirmar a criação e atribuição de competências ao cargo de secretário‑geral.
Os próximos passos passam pela votação das listas e pela formalização dos órgãos que irão conduzir o partido até ao congresso subsequente, numa fase em que o Livre tenta conciliar visões diferentes sobre descentralização de poder e método de tomada de decisões.