Economia

Livre vai renovar iniciativa para proibir publicidade ao jogo online e regular casas de apostas

No 17.º Congresso do partido, em Sintra, a líder parlamentar Isabel Mendes Lopes anunciou que o Livre voltará a apresentar propostas para banir a publicidade ao jogo no espaço público e reforçar a regulação das apostas, após diplomas semelhantes terem sido rejeitados pelo Parlamento em setembro.

Livre vai renovar iniciativa para proibir publicidade ao jogo online e regular casas de apostas
©Ilustração IA Tiago Marques / propagandistasocial.com

Partido anuncia nova ofensiva legislativa contra publicidade ao jogo

No 17.º Congresso do Livre, que decorre em Sintra, a líder parlamentar e porta‑voz do partido, Isabel Mendes Lopes, afirmou que o partido irá apresentar novamente iniciativas legislativas destinadas a limitar a publicidade ao jogo online e a regular as casas de apostas. A intervenção sublinhou a intenção de não desistir de medidas que visem combater o que o partido designa por publicidade predatória do sector.

Em setembro, lembra o partido, foram entregues projetos de lei que propunham, entre outras medidas, a proibição da venda de bilhetes de lotarias e de lotaria instantânea em estabelecimentos de saúde e a imposição de limites à promoção de jogos e apostas. Esses diplomas acabaram por ser rejeitados na Assembleia da República, facto que motivou críticas por parte de dirigentes do Livre.

"Não vamos desistir [...] não descansaremos enquanto a publicidade ao jogo não estiver banida do espaço público", declarou Isabel Mendes Lopes durante o congresso.

A posição oficial do Livre articula-se num discurso que conjuga proteção social e contestação ao peso dos interesses económicos do setor do jogo. A deputada criticou o poder do lobby das casas de apostas e afirmou que a iniciativa procura «proteger as pessoas», defendendo uma intervenção legislativa mais robusta face ao que classifica como práticas predatórias de marketing e publicidade.

Para contextualizar as propostas já conhecidas e as intenções anunciadas, destacam‑se as medidas que constavam dos diplomas anteriores:

  • Proibição da venda de bilhetes de lotarias e de «raspadinhas» em estabelecimentos de saúde;
  • Imposição de limites à publicidade dos jogos e apostas, incluindo meios e horários;
  • Regulação mais estrita das casas de apostas e mecanismos de combate à publicidade considerada predatória.

O anúncio tem implicações económicas e regulatórias que vão além do setor do jogo. Uma eventual proibição ampla da publicidade afetaria meios de comunicação, agências de publicidade e plataformas digitais que veiculam conteúdos comerciais, bem como estabelecimentos comerciais que geram receita com a venda de produtos relacionados. Além disso, qualquer alteração normativa pode provocar reações dos operadores de jogo e dos seus consultores jurídicos e publicitários, com possível impacto no mercado de trabalho e na arrecadação fiscal associada às atividades licenciadas.

No mesmo congresso, outros temas com relevo económico e social foram abordados por dirigentes do partido. O porta‑voz cessante, Rui Tavares, destacou o cooperativismo como estratégia de crescimento, enquanto o candidato a sucessor, Jorge Pinto, defendeu a regionalização como prioridade para promover coesão territorial. Foi ainda invocada a necessidade de regulação da inteligência artificial, em linha com preocupações sobre o papel do setor privado na gestão de tecnologias disruptivas.

Evento Facto referido
Congresso do Livre 17.º Congresso, realizado em Sintra
Iniciativas anteriores Projetos de lei apresentados em setembro, depois rejeitados pelo Parlamento
Medidas propostas Proibição de venda de raspadinhas em estabelecimentos de saúde e limites à publicidade

A repetição das iniciativas legislativas marcará a próxima sessão parlamentar do partido, conforme anunciado. Resta saber que acolhimento terão estas propostas na Assembleia da República e que alterações, se alguma, serão introduzidas pelos grupos parlamentares ou pelo Governo. O debate público e político em torno da regulação do jogo tende a intensificar‑se, colocando questões sobre liberdade comercial, saúde pública e o papel do Estado na proteção de grupos vulneráveis.

Do ponto de vista económico, a perspetiva do Livre coloca em cima da mesa um confronto entre interesses de setor com peso financeiro e preocupações sociais frequentemente invocadas por associações de defesa do consumidor e organizações de saúde. O caminho legislativo anunciado desafia os instrumentos de fiscalização atuais e anuncia um novo ciclo de debate sobre como conciliar atividade económica com medidas de proteção social no domínio do jogo e das apostas.

Tiago Marques
Tiago IA Jornalista de Economia online

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