Convocação oficial e tom combativo
Na manhã deste domingo, em São Paulo, o Partido dos Trabalhadores (PT) confirmou a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No discurso de abertura, Lula fez uma autocrítica à falta de representatividade feminina na programação e apresentou uma imagem de campanha que combina apelos sociais com um posicionamento mais assertivo face a outros órgãos do poder.
Apelo a eleitoras e reformulação de imagem
O presidente destacou a necessidade de dialogar com o eleitorado feminino e com os idosos, grupos que a campanha passa a privilegiar. Para sublinhar esse foco, e em resposta à ausência de mulheres no palco, Lula convidou a primeira-dama, Janja da Silva, a falar antes do seu discurso. A intervenção de Janja incluiu um apelo direto às mulheres trabalhadoras:
“Nós, mulheres, que fazemos marmita para nossos maridos, limpamos a casa, chegamos em casa às dez horas da noite, vamos te eleger.”
O gesto serviu também como sinal de correção de rota numa convenção em que, apesar da presença de figuras femininas em entrevistas transmitidas, a lista oficial de oradores não as incluía.
Programação e lideranças presentes
Antes do encerramento com Lula, discursaram o presidente do PT, Edinho Silva, o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, e o vice-presidente, Geraldo Alckmin. A campanha aposta no binómio democracia e soberania como eixos de comunicação.
- Afirmação de continuidade: ênfase em programas sociais mas promessa de ir além do Bolsa Família.
- Relação mais conflituosa com o Legislativo: anúncio de disputa por emendas parlamentares.
- Reforço da imagem pública: de um lado, apelo à experiência; do outro, promessa de maior firmeza.
Frases de campanha e tom pessoal
Ao descrever a sua postura para um eventual quarto mandato, Lula rejeitou a ideia de se apresentar como um líder apaziguador: referiu que não pretende ser o “Lulinha paz e amor”, mas sim um “Lulinha porreta”, expressão usada para ilustrar uma promessa de ação mais contundente. O presidente também sublinhou que a sua candidatura não precisa «inventar» promessas, argumentando que quem já fez pode prometer mais.
Quadro da convenção
O evento serviu para formalizar a aliança com o vice Geraldo Alckmin e para reforçar a projeção de Haddad em São Paulo, enquadrando a disputa presidencial num cenário marcado pela oposição a candidaturas que a direção do PT qualificou como autoritárias.
| Orador | Função |
|---|---|
| Luiz Inácio Lula da Silva | Presidente e candidato à reeleição |
| Geraldo Alckmin | Vice-presidente e companheiro de chapa |
| Fernando Haddad | Candidato ao Governo de São Paulo (PT) |
| Edinho Silva | Presidente nacional do PT |
Ao oficializar a recandidatura em clima de campanha, o PT procura consolidar uma narrativa de experiência executiva, defesa da soberania nacional e proximidade com segmentos sociais específicos — sobretudo mulheres e idosos — enquanto anuncia um perfil mais combativo em relação a outros poderes.