Relatório público destaca performance regional e alerta para vulnerabilidades
Na cerimónia de entrega dos diplomas PME Líder 2025, promovida pelo Santander Portugal no Savoy Palace, no Funchal, foram apresentados indicadores que colocam a economia madeirense sob uma luz favorável, mas não isenta de riscos externos. O evento reuniu empresários e responsáveis institucionais e ficou marcado pelas intervenções do administrador executivo do banco, Amílcar Lourenço, e do antigo vice-primeiro-ministro Paulo Portas.
O retrato traçado pelo banco enfatiza uma sequência de expansão económica: a Região Autónoma da Madeira está em crescimento há 61 meses consecutivos. O mercado de trabalho é descrito como «super robusto», com uma taxa de desemprego de 4,5% no primeiro trimestre — valor inferior ao verificado no período homólogo. Paralelamente, o aumento dos salários acima da inflação traduz-se num ganho real do poder de compra estimado em 0,6%.
“A economia da Região continua a crescer em hóspedes, em dormidas, mas, sobretudo, cresce mais em proveitos. O que significa que está validada esta capacidade de gerar mais valor.”
O turismo aparece como motor de valor: não só aumentam hóspedes e dormidas, como crescem as receitas, o que, segundo os intervenientes, valida uma estratégia que privilegia a qualidade sobre o volume. Nesse quadro, o balanço das contas públicas regionais é apontado como sólido, com um saldo orçamental positivo equivalente a 2,3% do PIB e uma dívida pública próxima de 65,8% do PIB.
Apesar destes sinais favoráveis, a intervenção do representante do Santander sublinhou vários vectores de incerteza que condicionam as decisões das empresas madeirenses e que têm reflexos na economia nacional: a rivalidade geopolítica entre Estados Unidos e China, a desaceleração económica na Europa, conflitos internacionais, a rápida digitalização e a escassez de talento. Estes factores podem limitar a capacidade de crescimento sustentado ou aumentar a exposição a choques externos.
A sessão no Funchal, além de premiar pequenas e médias empresas, serviu para colocar em diálogo o desempenho regional e as estratégias necessárias para o futuro. Entre as principais leituras ficam: a consolidação de receita no turismo que permite maior valor por visitante; a melhoria do poder de compra; e a existência de margem para apostar na qualidade dos serviços como resposta à pressão competitiva. No entanto, a dependência de contextos externos e a necessidade de atrair e reter talento aparecem como desafios imediatos para manter a trajetória positiva sem comprometer a resiliência financeira.
Perspetivas e medidas concretas para responder a estes riscos não foram detalhadas durante a cerimónia, mas a combinação de indicadores favoráveis com alertas sobre o ambiente internacional sublinha a necessidade de políticas públicas e estratégias empresariais coordenadas para preservar ganhos recentes e preparar a economia regional para eventuais turbulências.
- 61 meses consecutivos de crescimento regional.
- Taxa de desemprego do 1.º trimestre: 4,5%.
- Ganho real do poder de compra estimado em 0,6%.
- Saldo orçamental com excedente de 2,3% do PIB; dívida em cerca de 65,8% do PIB.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Meses de crescimento | 61 |
| Desemprego (1.º trimestre) | 4,5% |
| Ganho real do salário | 0,6% |
| Excedente orçamental | 2,3% do PIB |
| Dívida pública | 65,8% do PIB |