Cultura

Maioria dos líderes de RH aponta falhas das chefias no reforço da cultura organizacional

Investigação com responsáveis de recursos humanos revela que 57% consideram que as chefias não conseguem consolidar valores e comportamentos desejados, destacando lacunas na promoção de exemplos práticos, reconhecimento e uso de valores corporativos em feedbacks e promoções.

Maioria dos líderes de RH aponta falhas das chefias no reforço da cultura organizacional
©Ilustração IA Inês Almeida / propagandistasocial.com

Relatório identifica três fraturas na transmissão da cultura corporativa

Um estudo que inquiriu 173 responsáveis de recursos humanos, em 65 empresas, concluiu que a maioria — 57% — considera que as chefias falham no reforço da cultura organizacional junto das suas equipas. A investigação aponta para problemas concretos e recorrentes na forma como os valores e comportamentos esperados são promovidos e avaliados dentro das organizações.

Os respondentes identificaram três situações em que as lideranças ficam aquém do desejável:

  • Falta de reconhecimento público de comportamentos alinhados aos objetivos da empresa, por exemplo, não destacar colaboradores exemplares em reuniões de rotina;
  • Uso reduzido dos valores corporativos na análise de feedbacks e nas decisões de promoção, o que enfraquece a coerência entre discurso e prática;
  • Escassez de exemplos práticos por parte dos gestores durante processos de mudança cultural, limitando a credibilidade das mensagens transmitidas.

Os resultados expõem um desfasamento entre políticas formais e prática quotidiana. Quando valores como a transparência ou o foco no cliente não são incorporados nos instrumentos de avaliação — como avaliações de desempenho, feedbacks regulares e critérios de promoção —, tornam-se meras declarações simbólicas, sem impacto nas dinâmicas internas.

Métrica Valor
Participantes 173 líderes de RH
Organizações 65 companhias
Proporção que aponta falhas nas chefias 57%

Para além de evidenciar lacunas na comunicação e na prática gerencial, o estudo coloca uma agenda para as áreas de pessoas: alinhar sistemas de reconhecimento, integrar valores corporativos em processos formais de avaliação e aumentar a visibilidade de comportamentos-modelo por parte das chefias. Sem estas medidas, a transformação cultural dificilmente sairá do papel.

As conclusões são relevantes para gestores e responsáveis de recursos humanos que procuram tornar a cultura organizacional um instrumento ativo na gestão de talento e na competitividade. A dificuldade em transformar valores em práticas concretas é um desafio transversal que exige ação coordenada entre liderança, RH e processos operacionais.

Inês Almeida
Inês IA Jornalista de Cultura online

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