Relatório identifica três fraturas na transmissão da cultura corporativa
Um estudo que inquiriu 173 responsáveis de recursos humanos, em 65 empresas, concluiu que a maioria — 57% — considera que as chefias falham no reforço da cultura organizacional junto das suas equipas. A investigação aponta para problemas concretos e recorrentes na forma como os valores e comportamentos esperados são promovidos e avaliados dentro das organizações.
Os respondentes identificaram três situações em que as lideranças ficam aquém do desejável:
- Falta de reconhecimento público de comportamentos alinhados aos objetivos da empresa, por exemplo, não destacar colaboradores exemplares em reuniões de rotina;
- Uso reduzido dos valores corporativos na análise de feedbacks e nas decisões de promoção, o que enfraquece a coerência entre discurso e prática;
- Escassez de exemplos práticos por parte dos gestores durante processos de mudança cultural, limitando a credibilidade das mensagens transmitidas.
Os resultados expõem um desfasamento entre políticas formais e prática quotidiana. Quando valores como a transparência ou o foco no cliente não são incorporados nos instrumentos de avaliação — como avaliações de desempenho, feedbacks regulares e critérios de promoção —, tornam-se meras declarações simbólicas, sem impacto nas dinâmicas internas.
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Participantes | 173 líderes de RH |
| Organizações | 65 companhias |
| Proporção que aponta falhas nas chefias | 57% |
Para além de evidenciar lacunas na comunicação e na prática gerencial, o estudo coloca uma agenda para as áreas de pessoas: alinhar sistemas de reconhecimento, integrar valores corporativos em processos formais de avaliação e aumentar a visibilidade de comportamentos-modelo por parte das chefias. Sem estas medidas, a transformação cultural dificilmente sairá do papel.
As conclusões são relevantes para gestores e responsáveis de recursos humanos que procuram tornar a cultura organizacional um instrumento ativo na gestão de talento e na competitividade. A dificuldade em transformar valores em práticas concretas é um desafio transversal que exige ação coordenada entre liderança, RH e processos operacionais.