Apelo à paciência dos EUA numa transição que se prevê rápida
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou esta terça-feira que a transição política na Venezuela deverá decorrer ao longo de «meses, não anos», pedindo contenção e perseverança enquanto se desenvolvem negociações internas. A declaração foi proferida durante a cerimónia de assinatura de um acordo sobre energia nuclear civil com o Paraguai, quando Rubio comentou os progressos e os passos ainda por dar para organizar um processo eleitoral credível.
"É evidente que ainda há muito a fazer para lançar as bases para uma eleição"
Rubio sublinhou a necessidade de «perseverança e um pouco de paciência», prevendo que o processo não se arraste por anos, mas reconhecendo que serão necessários «meses e semanas» para consolidar avanços. As declarações surgem numa fase de intenso acompanhamento internacional, após a intervenção militar dos Estados Unidos que afastou Nicolás Maduro e levou à subida de Delcy Rodríguez como presidente interina.
Negociações presenciais em Caracas e impacto humanitário
Esta semana deverão ter lugar, em Caracas, a primeira ronda presencial de conversações entre delegados do governo interino de Delcy Rodríguez e representantes da oposição. Entre os assuntos anunciados para debate estão o reforço de mecanismos democráticos, garantias políticas e as respostas à catástrofe natural que recentemente afetou a Venezuela.
- Data: ronda presencial prevista para esta semana (data ainda não divulgada).
- Assuntos centrais: democracia, direitos políticos e resposta ao sismo.
- Posição dos EUA: acompanhar a transição, insistindo em passos rápidos mas sólidos.
O abalo sísmico de 24 de junho provocou um número muito elevado de vítimas na Venezuela — mais de 6 000, segundo os últimos relatos — e tem repercussões também para Portugal. O Ministério dos Negócios Estrangeiros actualizou para 138 o número de portugueses e lusodescendentes mortos.
| Indicador | Valor comunicado |
|---|---|
| Vítimas totais (aprox.) | mais de 6 000 |
| Portugueses e lusodescendentes mortos | 138 |
Para Lisboa, a situação humanitária tem sido acompanhada de perto pelas autoridades consulares, que continuam a fornecer assistência às famílias e a recolher informação sobre cidadãos afectados. A evolução política na Venezuela poderá influenciar a capacidade de resposta e a estabilidade necessária para a recuperação pós-sismo, pelo que os próximos meses serão decisivos tanto no plano interno venezuelano como para os interesses e cidadãos portugueses no terreno.