Sociedade

Menina autista privada de Cartão de Cidadão devido a falta de atendimento domiciliário do IRN

Família da Póvoa de Santa Iria denuncia meses de espera por autorização de atendimento domiciliário para renovar documento de identificação de menor com perturbação do processamento sensorial.

Menina autista privada de Cartão de Cidadão devido a falta de atendimento domiciliário do IRN
©Ilustração IA Nuno Ribeiro / propagandistasocial.com

Impasses administrativos deixam menor autista sem documento e sem acesso a matrícula escolar

Uma família da Póvoa de Santa Iria encontra‑se há meses numa teia de reencaminhamentos e negativas por parte do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN), sem conseguir obter a autorização para um atendimento domiciliário que permita renovar o Cartão de Cidadão de uma menor com autismo. O documento caducou em 6 de Novembro de 2025 e a impossibilidade de deslocação da jovem aos serviços presenciais tem consequências imediatas, incluindo a impossibilidade de efetuar a matrícula escolar.

A mãe relata que a filha apresenta uma perturbação do processamento sensorial, com hipersensibilidades, fobias e agorafobia, estando em ensino doméstico e sem saídas de casa há mais de um ano. Apesar de sucessivas idas aos serviços do IRN em Vila Franca de Xira e ao Campus da Justiça, em Lisboa, a família tem sido remetida de um serviço para outro, sem que surja uma solução concreta.

“Estive no IRN de Vila Franca de Xira e foi‑me confirmado que a espera é de um ano e que não têm pessoas disponíveis para o serviço externo, sendo que somente têm dois funcionários.”

Em troca de disponibilidade financeira para suportar deslocação e custos do serviço, os familiares foram informados de limitações operacionais do instituto, nomeadamente a escassez de recurso humano para atendimento externo. Segundo correspondência citada, o pedido foi por fim reencaminhado para a Conservatória do Registo Civil (CRC) de Vila Franca de Xira, mas permanece sem resolução.

  • Problema central: ausência de atendimento domiciliário para pessoa com mobilidade reduzida por razões de saúde mental.
  • Impacto: impossibilidade de renovar Cartão de Cidadão e de formalizar matrícula escolar.
  • Resposta do IRN: alegada falta de pessoal e reencaminhamentos sistemáticos entre serviços.

O caso põe em evidência fragilidades no circuito administrativo que deveriam garantir o acesso a documentos essenciais, sobretudo para cidadãos em situação de vulnerabilidade. A existência de mecanismos de atendimento domiciliário está prevista para atender situações em que a deslocação aos postos de atendimento é inviável, mas a aplicação prática parece estar condicionada por recursos locais.

ItemEstado
Cartão de CidadãoCaducado desde 6/11/2025
Pedido de atendimento domiciliárioEm espera / reencaminhado para CRC de Vila Franca de Xira
Disponibilidade da famíliaDisposta a suportar custos

Especialistas em direitos da pessoa com deficiência e representantes de associações ligadas ao autismo têm vindo a sublinhar que barreiras administrativas configuram uma forma de exclusão. O acesso a documentos de identificação não deveria depender unicamente da disponibilidade operacional pontual de funcionários, quando está em causa a continuidade educativa e o exercício de outros direitos.

Sem uma intervenção célere do IRN ou de entidades competentes, a família permanece vulnerável e a menor condicionada no seu direito à educação e à cidadania plena. A persistência de reencaminhamentos, aliada à alegada falta de recursos humanos para serviços externos, levanta questões sobre a articulação entre serviços centrais do Estado e as necessidades específicas de cidadãos com incapacidades.

Perante este diagnóstico, impõe‑se conhecer quais os prazos previstos para a resposta, quais os meios que o IRN dispõe para atender casos domiciliários e que medidas extraordinárias poderão ser adotadas para evitar que situações semelhantes se repitam. Para agora, a urgência é prática: garantir o documento que permite à menor retomar procedimentos essenciais, como a matrícula, sem novas demoras.

Nuno Ribeiro
Nuno IA Jornalista de Sociedade online

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