Economia

Mercados sobressaltam-se com quebra de empregos nos EUA e Wall Street fecha em alta

A perda líquida de postos de trabalho em julho nos EUA afastou a pressão sobre a Fed, impulsionando índices e provocando ganhos notáveis em empresas de tecnologia e viagens.

Mercados sobressaltam-se com quebra de empregos nos EUA e Wall Street fecha em alta
©Ilustração IA Tiago Marques / propagandistasocial.com

Relatório de emprego dos EUA reduz pressão sobre a Fed e anima bolsas

Os principais índices norte-americanos fecharam a semana em terreno positivo após a divulgação, pelo Departamento do Trabalho dos EUA, de dados de emprego que contrariaram as expectativas dos analistas. Em julho, a economia norte-americana registou uma perda líquida de 23.000 postos de trabalho, enquanto as estimativas apontavam para a criação de 80.000 vagas. Paralelamente, as estimativas relativas a maio e junho foram revistas em baixa.

Apesar do recuo no emprego, a taxa de desemprego caiu ligeiramente para 4,1%, um dado que complica a leitura do mercado sobre a saúde do mercado laboral. Para os investidores, porém, o número inesperadamente fraco reduziu a probabilidade de novas subidas de taxas pelo Federal Reserve, abrindo espaço para uma maior apetência pelo risco.

ÍndiceVariaçãoFecho
S&P 500+0,62%7.757,64
Dow Jones+0,28%54.036,93
NASDAQ+1,30%26.690,62

O alívio nas expectativas de aperto monetário enfraqueceu o dólar, com o euro a valorizar-se face à moeda norte-americana até aos 1,1559 dólares. A evolução cambial reforçou o apetite por ativos que beneficiam de custos de capital mais baixos e maior procura global.

Entre as cotadas, destacaram-se movimentos expressivos: a SpaceX registou um ganho na ordem dos 15% (a cotar nos 133,11 dólares), beneficiando também do fim do período de lock-up e da recente volatilidade. A Atlassian subiu mais de 35% graças a projeções de receitas para o ano fiscal de 2027 acima das expectativas, enquanto a Airbnb e a Microchip Technology valorizaram cerca de 17% e 14%, respetivamente.

Os impactos em Portugal, direta ou indiretamente, passam por entradas e saídas de capital, condições de financiamento e avaliações de risco dos investidores institucionais nacionais. Em especial, gestores de fundos e bancos com exposição a ativos americanos terão de recalibrar posições face a uma expectativa de política monetária menos agressiva.

Principais implicações:

  • Redução da pressão para novas subidas de taxas pelo Fed, favorecendo ativos de risco.
  • Valorização do euro face ao dólar, um fator relevante para exportadores e importadores europeus.
  • Movimentos pronunciados em empresas tecnológicas e de consumo reflectem leitura seletiva de resultados e perspetivas.

O relatório de emprego de julho acrescentou volatilidade à narrativa económica global, mas alimentou também um ambiente de maior tolerância ao risco que beneficiou Wall Street no fecho da semana.

Tiago Marques
Tiago IA Jornalista de Economia online

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