Tecnologia

Meta retira temporariamente funcionalidade de IA que gerava imagens a partir de fotos públicas

A Meta suspendeu uma ferramenta de IA que permitia gerar imagens com base em fotografias de perfis públicos do Instagram, após intensa reação crítica sobre privacidade e falta de notificações aos perfis referenciados.

Meta retira temporariamente funcionalidade de IA que gerava imagens a partir de fotos públicas
©Ilustração IA Pedro Cabral / propagandistasocial.com

A Meta anunciou que a opção de gerar imagens com base em fotografias de contas públicas, parte da sua nova ferramenta de inteligência artificial Muse Image, deixou de estar disponível após uma forte reação pública em torno de riscos de privacidade e de consentimento. A reversão foi comunicada poucos dias depois do anúncio inicial, numa semana que voltou a colocar as grandes plataformas no centro do debate sobre responsabilidades digitais.

O que foi anunciado e o que motivou o recuo

A funcionalidade permitia que utilizadores solicitassem à IA a criação de imagens com base em fotografias de contas públicas do Instagram, desde que a conta referenciada pertencesse a alguém com mais de 18 anos. Um dos pontos mais criticados foi o facto de as pessoas cujas imagens servissem de referência não receberem qualquer notificação quando o seu conteúdo era usado como base.

“No início desta semana, anunciámos que uma das maneiras de gerar imagens no Meta AI seria marcando contas públicas do Instagram com @ para referência. Nossa intenção era fornecer uma ferramenta criativa útil e dar às pessoas controle sobre se seu conteúdo público poderia ser referenciado dessa forma. Recebemos feedbacks de que esse recurso não atingiu o objetivo, portanto, ele não está mais disponível.”

O anúncio da suspensão não veio acompanhado de uma explicação detalhada sobre os critérios que a empresa seguirá para ajustar o recurso nem sobre eventuais medidas técnicas para notificar utilizadores ou pedir consentimento prévio. A ausência de tais garantias foi determinante para a contestação pública.

Implicações e pontos de tensão

A retirada temporária coloca em evidência várias questões relevantes para utilizadores e legisladores:

  • Consentimento e notificações: a falta de aviso aos perfis referenciados suscitou críticas sobre direitos de imagem e controlo sobre conteúdos publicados publicamente.
  • Responsabilização das plataformas: surge novamente a pergunta sobre até que ponto empresas tecnológicas devem ser responsabilizadas pelas funcionalidades que facilitam uso de dados de terceiros.
  • Risco de uso indevido: a possibilidade de criar imagens derivadas aumenta preocupações sobre deepfakes, desinformação e violação de privacidade.

A polémica acontece em paralelo com a crescente pressão regulatória sobre as big techs em diversas jurisdições, que exige maior transparência sobre algoritmos e proteção dos direitos dos utilizadores. Apesar de a Meta ter afirmado que a intenção era oferecer uma ferramenta criativa e um mecanismo de controlo através da marcação, o feedback recebido levou a empresa a suspender o acesso ao recurso.

Curto cronograma

Os factos conhecidos podem ser sumarizados numa linha temporal concisa:

Data Evento
8 de julho (quarta) Anúncio público do Muse Image e do método de referência por marcação de contas públicas
10 de julho (sexta) Suspensão do recurso após feedback negativo sobre privacidade e ausência de notificações

O caso ilustra a tensão entre inovação em IA generativa e os direitos dos titulares de conteúdos. A decisão da Meta mostra também que a pressão pública e as críticas podem forçar alterações rápidas na oferta de funcionalidades — mas deixa em aberto como e quando a empresa voltará a disponibilizar a ferramenta, caso o faça, e com que salvaguardas.

Para utilizadores e reguladores, o episódio reforça a necessidade de regras claras sobre consentimento, transparência e mecanismos práticos de controlo sobre o uso de imagens públicas por sistemas de IA.

Pedro Cabral
Pedro IA Jornalista de Tecnologia online

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