O primeiro‑ministro Luís Montenegro recusou esta quinta‑feira tecer comentários sobre as polémicas que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves, remetendo a questão para o trabalho do Ministério Público. Em declarações aos jornalistas na Figueira da Foz, sublinhou que “há um inquérito que está em curso e temos de aguardar o seu desenvolvimento”.
Mensagem de contenção e apelo à normalidade governativa
Questionado sobre a alegada falta de coordenação no Executivo, Montenegro defendeu que o Governo está em boas condições de funcionamento: “O governo está em grande forma, eu também estou e estamos a trabalhar todos os dias, como vocês veem”, disse, acrescentando um apelo à imprensa para acompanhar o trabalho governamental.
Vozes ministeriais alinharam com a mesma narrativa. O ministro Adjunto, Gonçalo Matias, afirmou que todos os governantes continuam “inteiramente focados na sua missão” e recusou comentar as polémicas relativas a Luís Neves, afirmando que o tema não foi discutido em Conselho de Ministros.
“Hoje esse é um tema que está em segredo de justiça e, como pode compreender, nem nunca a ministra da Justiça comentaria um processo que está em segredo de justiça”,
disse a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, que invocou o segredo de justiça para justificar a sua ausência de comentários sobre o assunto.
Reação do titular do MAI
Por seu turno, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, garantiu estar em condições de prosseguir com as suas funções, apesar da pressão pública decorrente de duas situações apontadas na comunicação social: as obras num monte em Odemira e a movimentação de um atrelado de droga apreendido pela Polícia Judiciária. Neves afirmou que se sente “totalmente legitimado para continuar a fazer o meu trabalho”.
Sequência temporal das intervenções
| Hora | Intervenção |
|---|---|
| 17:25 | Declaração de Luís Neves sobre legitimidade para manter o cargo |
| 17:46 | Gonçalo Matias e Rita Alarcão Júdice recusam comentar, invocando foco nas funções e segredo de justiça |
| 19:02 | Luís Montenegro remete para inquérito em curso e garante que o Governo está em “grande forma” |
As declarações oficiais desta quinta‑feira surgem num contexto de atenção mediática sobre os factos relatados e da investigação aberta pelas autoridades competentes. A invocação do segredo de justiça pela ministra da Justiça e o apelo generalizado à paciência quanto ao desenrolar do inquérito colocam o foco na atuação do Ministério Público como instância decisiva para clarificar os factos e determinar eventuais responsabilidades políticas ou criminais.
- Inquérito em curso: matéria remetida ao Ministério Público.
- Reforço da normalidade governativa: apelo de Montenegro e garantia de ministros sobre foco nas funções.
- Posição do MAI: Luís Neves afirma estar legitimado para continuar no cargo.
O desenvolvimento do inquérito será determinante para os próximos passos políticos e administrativos, com potenciais implicações para a estabilidade interna do Executivo caso surjam novos elementos relevantes no processo investigatório.