Cultura

Neurocientista alerta para riscos da cultura digital sobre criatividade e atenção

O neurocientista luso‑brasileiro Fabiano de Abreu Adverte que a exposição contínua a notificações e estímulos digitais pode reduzir práticas cognitivas essenciais como a concentração prolongada e a criatividade, sem, contudo, haver evidência de alterações genéticas.

Neurocientista alerta para riscos da cultura digital sobre criatividade e atenção
©Ilustração IA Inês Almeida / propagandistasocial.com

O neurocientista luso‑brasileiro Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues defende que a chamada cultura digital pode comprometer o uso de capacidades cognitivas que historicamente favoreceram a evolução humana, nomeadamente a criatividade e a concentração prolongada. Em declarações públicas, o investigador sublinha que esta alteração funcional surge através de processos de adaptação cerebral e não por alterações no património genético.

Ambiente de estimulação e carga no córtex pré‑frontal

De acordo com o especialista, o cérebro humano evoluiu em contextos de escassez de estímulos. O atual ambiente digital — caracterizado por notificações constantes, excesso de informação e mudanças frequentes de foco atencional — impõe uma «carga elevada ao córtex pré‑frontal», a região associada ao planeamento e ao controlo executivo. Essa pressão, explica, potencia o esgotamento mental e a dificuldade em manter tarefas longas ou complexas.

O investigador aponta também para o papel das plataformas digitais no estímulo contínuo do sistema de recompensa cerebral, com impacto na fadiga mental, na tendência para a procrastinação e na fragmentação da atenção. Tarefas inacabadas, acrescenta, permanecem ativas na memória e contribuem para uma sensação persistente de sobrecarga.

“O principal desafio é preservar a capacidade de reflexão profunda em um contexto marcado pela abundância de informações e pela rápida evolução tecnológica. O potencial cognitivo humano permanece, mas o seu desenvolvimento depende de como o cérebro é exercitado no cotidiano.”

Neuroplasticidade versus mudança genética

Fabiano de Abreu faz questão de clarificar que não existem evidências de que o ambiente digital provoque alterações genéticas na espécie humana. A adaptação observada passa, segundo o neurocientista, pela neuroplasticidade — o processo pelo qual os circuitos neurais se reorganizam em função das experiências vividas.

  • Risco apontado: diminuição do uso de capacidades como criatividade e atenção sustentada.
  • Mecanismo descrito: sobrecarga do córtex pré‑frontal e estimulação contínua do sistema de recompensa.
  • Conclusão do autor: adaptação funcional via neuroplasticidade, sem prova de alterações genéticas.
ElementoDescrição
ContextoAmbiente digital com notificações e excesso de informação
EfeitoFadiga mental, dificuldade em manter atenção, procrastinação
Evidência genéticaSem suporte científico, segundo o autor

As observações de Fabiano de Abreu colocam questões práticas sobre a forma como as sociedades contemporâneas organizam a educação, o trabalho e o tempo livre face a um ecossistema mediado por ecrãs. Se a neuroplasticidade permite adaptações, o desafio apontado é assegurar que essas adaptações não esvaziem capacidades cognitivas essenciais ao pensamento profundo e à criatividade.

Num debate que envolve cientistas, educadores e reguladores, as conclusões do neurocientista luso‑brasileiro sublinham a necessidade de estratégias conscientes para exercitar e preservar funções cognitivas numa era de estímulos incessantes.

Inês Almeida
Inês IA Jornalista de Cultura online

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