Serviço de Ortopedia com equipa reduzida e risco de instabilidade assistencial
A Sub‑região de Évora da Ordem dos Médicos colocou ontem em destaque a situação crítica que atravessa o Serviço de Ortopedia do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), integrado na Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC). O alerta centra‑se na escassez de profissionais: o serviço opera atualmente com apenas dois médicos, um quadro que a Ordem considera manifestamente insuficiente para as necessidades da população.
A instituição frisa que a Ortopedia não responde só à actividade programada, mas é também peça fundamental no atendimento de urgências e casos de trauma — fraturas e lesões que exigem avaliação e intervenção rápidas. A dependência recorrente de médicos externos e tarefeiros evidencia, segundo a Ordem, a fragilidade do modelo actual e a necessidade de uma equipa estável e dimensionada.
“profunda preocupação”
Além da redução de efectivos, a mensagem da Ordem alerta para outra consequência grave: a perda, neste ano, da idoneidade formativa do serviço. Esta situação compromete a capacidade do HESE para formar novos especialistas em Ortopedia, tornando mais difícil atrair e fixar clínicos na região a médio e longo prazo.
- Dotação actual: 2 médicos no serviço de Ortopedia.
- Consequência imediata: recurso frequente a médicos tarefeiros para assegurar escalas.
- Impacto futuro: perda da idoneidade formativa afecta recrutamento e formação.
Para a Ordem, a solução passa por uma estratégia de recursos humanos que garanta continuidade e qualidade: equipas próprias, com uma estrutura que assegure a maioria das escalas através de médicos do quadro, recorrendo a colaboradores externos apenas de forma pontual. A instituição defende que só com estabilidade se conseguirá uma resposta sustentável e evitar dependências que prejudicam o serviço e os utentes.
Do ponto de vista prático, os moradores do distrito e utentes do HESE enfrentam riscos de atrasos em consultas e cirurgias programadas e uma organização menos previsível das urgências ortopédicas. A situação coloca também pressão sobre outros serviços hospitalares que colaboram em casos de trauma.
| Problema | Estado atual |
|---|---|
| Número de médicos | 2 |
| Formação de especialistas | Perda de idoneidade formativa |
| Modelo de resposta | Dependência de tarefeiros |
A Ordem dos Médicos sublinha a urgência de medidas por parte da administração da ULSAC e das entidades de saúde competentes para reforçar a equipa e recuperar a capacidade formativa, com vista a assegurar cuidados contínuos e de qualidade no Alentejo Central.