Portugal com duas cidades no top mundial do Work From Anywhere
O Porto e Lisboa destacam-se como destinos de topo para quem pretende aliar trabalho remoto e lazer, segundo o Work from Anywhere Index 2026 divulgado pela International Workplace Group (IWG). Do total de 50 cidades analisadas, o Porto surge na 4.ª posição e Lisboa ocupa o 9.º lugar, reconhecimento que coloca o país em evidência na corrida por talento internacional e nómadas digitais.
O estudo avaliou múltiplos critérios — da qualidade da internet ao custo de vida, passando por oferta cultural, segurança e acesso a espaços de trabalho flexíveis — e concluiu que a combinação de infraestruturas e estilo de vida torna as cidades portuguesas competitivas. Esta classificação acontece numa fase em que o teletrabalho mantém presença significativa no mercado nacional: no primeiro trimestre de 2026, 21,1% dos empregados declarou ter trabalhado a partir de casa com recurso a tecnologias de informação e comunicação, o que corresponde a cerca de 1,12 milhões de pessoas.
“esta transformação da forma de trabalhar é apoiada pela infraestrutura digital de Portugal”
O argumento da IWG é reforçado por dados da Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM): no final do terceiro trimestre de 2025, as redes de alta velocidade cobriam cerca de 96% dos alojamentos familiares no país — um fator decisivo para trabalhadores que procuram estabilidade digital fora do escritório.
O que pesa no ranking
- Segurança e qualidade de vida urbana;
- Velocidade e cobertura de internet como requisito básico para o trabalho remoto;
- Acesso à natureza, oferta cultural e gastronómica para o tempo livre;
- Disponibilidade de espaços de coworking e vistos para nómadas digitais;
- Custo de vida e transportes.
Portugal é o único país com duas cidades entre as dez melhores do índice, um dado que pode influenciar estratégias de promoção turística e de atração de profissionais qualificados. Empresas que pretendem reter talento têm cada vez mais em conta políticas flexíveis: a IWG aponta que 80% dos trabalhadores consideram uma política Work From Anywhere (WFA) um factor que tornaria uma oferta de emprego mais apelativa, enquanto 62% admitiriam mudar de emprego por melhores condições de trabalho flexível.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Posição do Porto no índice | 4.º |
| Posição de Lisboa no índice | 9.º |
| Percentagem de empregados em teletrabalho (T1 2026) | 21,1% (~1,12 milhões) |
| Cobertura de redes de alta velocidade (T3 2025) | 96% |
Para profissionais e empresas, estes resultados sublinham a importância de alinhar políticas internas com as novas dinâmicas laborais. Para o setor do turismo e serviços, a presença no ranking abre oportunidades: alojamentos, espaços de coworking, restauração e transportes locais podem adaptar ofertas para captar visitantes que combinam trabalho e lazer.
O abraço entre trabalho e tempo livre traduz-se também em desafios: é necessário assegurar que a oferta de espaços de trabalho partilhados e serviços de apoio acompanhe a procura crescente, e que o custo de vida não comprometa a atratividade a longo prazo. Ainda assim, a dupla presença de cidades portuguesas no top é um convite prático para quem procura destinos onde seja possível conciliar produtividade com qualidade de vida.