Portugal com posição estratégica na transição para uma economia dos oceanos
Oceanógrafo renomado, considerado o pioneiro do conceito de carbono azul, Carlos Duarte defendeu em Lisboa que Portugal tem um papel de relevo na consolidação da chamada nova economia azul. A intervenção decorreu no âmbito de um grupo de reflexão internacional sobre capital natural azul, recebido pela Fundação Oceano Azul, e sublinhou a oportunidade de conciliar desenvolvimento económico e conservação dos ecossistemas marinhos.
Para Duarte, a nova economia azul representa «um novo olhar ao oceano como uma parte importante da economia», afastando-se de modelos exclusivamente extrativos e promovendo actividades que gerem valor económico ao mesmo tempo que investem na regeneração dos mares. Esta abordagem coloca Portugal numa posição vantajosa, por via das suas capacidades científicas, geográficas e institucionais.
"Há uma grande oportunidade atualmente que é a nova economia azul."
O investigador da Universidade King Abdullah e consultor da Fundação Gulbenkian identificou cinco pilares que, na sua óptica, estruturam esta nova economia. A entrevista refere explicitamente alguns desses pilares, nos quais Portugal já mostra aptidões significativas:
- Aquacultura regenerativa — produção de alimentos sustentáveis e compatíveis com a saúde dos ecossistemas marinhos.
- Capital natural azul — reconhecimento e valorização económica dos serviços ecossistémicos providenciados pelo mar.
- Áreas Marinhas Protegidas — conservação que pode gerar benefícios económicos ainda por quantificar.
Duarte enfatiza que, embora o capital natural azul já integre parte da economia portuguesa, o seu valor real permanece subavaliado. Além do carbono azul, esse capital traduz-se em potencial para o turismo, para a protecção da biodiversidade e para serviços ecossistémicos com impacto directo nas economias locais e nacionais.
O convite à contabilização dos benefícios económicos das Áreas Marinhas Protegidas foi outro ponto central da intervenção: saber quantificar esses ganhos é, na sua perspectiva, condição necessária para incorporar o valor do mar nas políticas públicas e nas decisões de investimento.
Ao destacar a aquacultura regenerativa, Duarte aponta para modelos de produção que gerem alimentos sustentáveis sem comprometer a integridade dos ecossistemas marinhos. Para Portugal, com extensa costa e sectores ligados ao mar, isso abre janelas de oportunidade industrial e científica, bem como para inovação em cadeias de valor.
| Pilar | Descrição (segundo a fonte) |
|---|---|
| Aquacultura regenerativa | Produção de alimentos sustentáveis e saudáveis para as pessoas e para o mar. |
| Capital natural azul | Parte já presente na economia portuguesa, cujo valor ainda não está totalmente reconhecido. |
| Áreas Marinhas Protegidas | Importância de calcular e reconhecer os benefícios económicos gerados por estas áreas. |
| Pilares não enumerados | Fonte refere cinco pilares, sem detalhar os restantes nomes na íntegra. |
O testemunho de Duarte surge no seguimento de reconhecimentos internacionais ao seu trabalho, incluindo distinções recentes, e de encontros com entidades como a Fundação Oceano Azul. A mensagem é clara para decisores e agentes económicos: existe uma janela de oportunidade para transformar recursos oceânicos em valor renovável, desde que se adoptem abordagens que integrem conservação e desenvolvimento.
As implicações para políticas públicas são diversas: é necessário melhorar metodologias para avaliar o valor económico dos serviços marinhos, promover instrumentos que incentivem a aquacultura sustentável e garantir que as áreas protegidas sejam concebidas e geridas de modo a maximizar benefícios ambientais e socioeconómicos. Para um país com uma forte tradição marítima, estas orientações podem orientar linhas de financiamento, investigação e regulação num futuro próximo.