Presidência portuguesa na GDHP e apresentação sobre continuidade de cuidados
A participação de Portugal na conferência "PH4H Regional Conference + 5th Connectathon: Connecting People, Transforming Health", realizada entre 28 e 30 de julho na Cidade do Panamá, marcou um momento relevante para a visibilidade do país em matéria de saúde digital. Em representação da SPMS, entidade que exerce a presidência da Global Digital Health Partnership (GDHP), estiveram presentes o vogal executivo do Conselho de Administração, Carlos Pinto Rodrigues, e a gestora do Núcleo de Saúde Digital Global e Relações Internacionais, Cátia Pinto.
Ao longo do evento, promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (IDB) e pela Organização Pan-Americana da Saúde (PAHO), foram debatidos temas centrais para a transformação digital dos sistemas de saúde: evolução dos enquadramentos jurídicos e regulatórios, implementação de certificados digitais de vacinação, desenvolvimento de infraestruturas digitais públicas e definição de arquiteturas de referência para serviços de saúde.
Partilha de experiência nos resumos clínicos eletrónicos
Portugal foi convidado a integrar a sessão temática dedicada à Continuity of Care, onde apresentou a experiência nacional na implementação de resumos clínicos eletrónicos (Patient Summaries) e na disponibilização de dados clínicos estruturados. Esta partilha incidiu sobre componentes dos resumos, casos de utilização e mecanismos que favorecem a continuidade de cuidados, designadamente em contextos transfronteiriços.
A intervenção portuguesa sublinhou aspetos práticos de interoperabilidade e troca segura de informação clínica, contribuindo para o debate internacional sobre padrões, arquiteturas e soluções que possibilitam a continuidade do tratamento de doentes quando estes circulam entre diferentes sistemas de saúde.
Impacto institucional e cooperação internacional
A presença da SPMS no Panamá reforçou a visibilidade institucional de Portugal no quadro da presidência portuguesa da GDHP para o mandato 2026–2027. Para além de evidenciar a experiência nacional, permitiu consolidar laços de cooperação com organismos multilaterais e autoridades da região, incluindo o IDB e a PAHO, bem como representantes governamentais latino-americanos.
O programa do encontro combinou sessões técnicas e um "Connectathon" que promove a interoperabilidade prática entre sistemas, criando espaço para testes e demonstrações entre equipas técnicas de diferentes países. Estas dinâmicas facilitam a identificação de barreiras técnicas e regulatórias e a partilha de soluções replicáveis.
Desafios e oportunidades para Portugal
Participações deste tipo colocam Portugal num papel activo na definição de boas práticas e de arquiteturas de referência que poderão orientar políticas públicas e projetos de interoperabilidade no país. Ao mesmo tempo, expõem o país aos desafios comuns identificados internacionalmente, nomeadamente em matéria de enquadramento legal, segurança da informação e normalização de dados clínicos.
O foco em resumos clínicos eletrónicos e em troca estruturada de informação clínica evidencia prioridades que influenciam o desenho futuro de sistemas de registo e coordenação de cuidados no Serviço Nacional de Saúde (SNS), sem que a adoção de soluções tecnológicas dispense avaliações contínuas de segurança, privacidade e governança dos dados.
| Elemento | Dados |
|---|---|
| Evento | PH4H Regional Conference + 5th Connectathon |
| Datas | 28–30 de julho |
| Representantes SPMS | Carlos Pinto Rodrigues; Cátia Pinto |
| Mandato GDHP | 2026–2027 (presidência portuguesa) |
- Interoperabilidade: destaque para a troca segura de informação clínica e para testes práticos no Connectathon.
- Resumos clínicos eletrónicos: partilha de modelos e componentes para continuidade de cuidados.
- Cooperação: reforço de laços com IDB, PAHO e autoridades da América Latina.
Em suma, a participação portuguesa no encontro do Panamá contribui para posicionar o país como interlocutor relevante nas discussões sobre a transformação digital da saúde, ao mesmo tempo que permite trazer para o debate nacional aprendizagens e modelos que poderão orientar iniciativas futuras no âmbito do SNS e da cooperação internacional em saúde digital.