Nos últimos anos tem‑se verificado uma crescente procura por preparadores físicos portugueses na China, notória em diferentes modalidades e níveis competitivos. O regresso de Nuno Pina a Pequim, agora responsável pela preparação física do campeão olímpico e recordista mundial dos 100 metros livres, Pan Zhanle, ilustra o interesse chinês por especialização estrangeira no domínio da performance e da prevenção de lesões.
O convite dirigido por entidades chinesas para que Nuno Pina acompanhe o nadador até aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 não é um caso isolado. Outros técnicos portugueses já integram estruturas de elite na capital e noutras províncias: João Faia trabalha com a equipa olímpica de esgrima de Pequim, depois de uma temporada no clube de futebol Changchun Yatai; Guilherme Pina, recordista nacional dos 1.500 metros livres, acompanha jovens nadadores no SDM Sport Performance Centre, no Parque de Chaoyang; e ainda os preparadores Tiago Serrão e Emanuel Martins estão presentes nas mesmas instalações, que acolhem atletas de várias modalidades.
"Eles perceberam, nas competições internacionais, que os atletas estrangeiros estavam mais desenvolvidos na parte física. Começaram a valorizar cada vez mais essa componente e sentiram necessidade de evoluir", afirmou João Faia à Agência Lusa.
Além dos nomes já referidos, a lista de profissionais portugueses com experiência recente na China inclui Fábio Martins (ex‑fisioterapeuta da equipa de atletismo de Xangai), André Sousa (prévio preparador físico em centros de alto rendimento na província de Zhejiang), Tomás Mendes (fisioterapeuta e osteopata no Shanghai Shenhua) e Luís Mesquita (preparador físico no Shanghai Research Institute of Sports Science durante a preparação para os Jogos Nacionais da China de 2017).
Por que procuram os chineses especialistas estrangeiros?
Segundo depoimentos recolhidos, a evolução prende‑se com a maior participação de atletas chineses em palcos internacionais e com investimentos massivos em infraestruturas, tecnologia e equipamento. No entanto, a melhoria contínua exige também a importação de conhecimento técnico e de práticas consolidadas noutros mercados, sobretudo no que toca à prevenção de lesões, recuperação e planeamento físico.
Para os especialistas portugueses, esta procura traduz‑se numa oportunidade profissional e numa plataforma de transferência de saber; para as federações e clubes chineses, representa uma via acelerada de aprendizagem e adaptação a padrões competitivos superiores.
- Investimento chinês em infraestruturas e tecnologia não substitui a necessidade de know‑how estrangeiro.
- Técnicos portugueses trabalham em modalidades que vão da natação ao futebol e esgrima.
- Projetos apontam até a preparação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
| Nome | Função | Local |
|---|---|---|
| Nuno Pina | Preparador físico de nadador olímpico | Pequim |
| João Faia | Preparador físico (esgrima/equipa olímpica) | Pequim / Changchun |
| Guilherme Pina | Treinador de jovens nadadores | SDM Sport Performance Centre, Parque de Chaoyang |
| Tiago Serrão | Preparador físico | SDM Sport Performance Centre |
| Emanuel Martins | Preparador físico | SDM Sport Performance Centre |
| Fábio Martins | Antigo fisioterapeuta | Xangai |
| André Sousa | Antigo preparador físico | Zhejiang |
| Tomás Mendes | Fisioterapeuta / Osteopata | Shanghai Shenhua |
| Luís Mesquita | Preparador físico (atletismo) | Shanghai Research Institute of Sports Science |
O fenómeno coloca Portugal numa posição relevante enquanto fornecedor de técnicos especializados, com potencial para fortalecer redes profissionais e académicas entre os dois países. Resta saber em que medida esta dinâmica contribuirá para programas de formação em território nacional ou para pactos de cooperação desportiva formalizados entre federações e centros de alto rendimento.