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Projeto da antiga refinaria em Leça da Palmeira altera ambições de habitação em Matosinhos

Autarca de Matosinhos contesta estudo que prevê 50% de habitação no Innovation District; município aponta 10% e alerta para uma década de trabalhos de descontaminação.

Projeto da antiga refinaria em Leça da Palmeira altera ambições de habitação em Matosinhos
©Ilustração IA Diogo Azevedo / propagandistasocial.com

Discrepância sobre uso do solo e calendário preocupa residentes

O futuro do Innovation District na área da antiga refinaria da Petrogal, em Leça da Palmeira, tornou-se esta semana motivo de esclarecimento por parte da Câmara Municipal de Matosinhos. Um estudo encomendado pela Galp e elaborado pela PwC aponta para um modelo em que cerca de metade da área seria destinada a fins residenciais, número que é contestado pela presidente do município.

O terreno em causa tem aproximadamente 250 hectares. Segundo a autarquia, o Plano Diretor Municipal (PDM) do concelho prevê que, em áreas de atividade económica dessa dimensão, apenas 10% sejam ocupados por habitação, uma diferença substancial face ao cenário defendido pela consultora. A estimativa da PwC inclui também uma projeção de até 19 mil novos habitantes num cenário de 50% de uso residencial.

"É a Câmara que garante o cumprimento dos parâmetros urbanísticos, e não está previsto que haja 50% de construção de habitação"

A presidente da Câmara advertiu igualmente para a necessidade de trabalhos de descontaminação do solo antes de qualquer intervenção construtiva, prevendo que esse processo dure cerca de uma década. Para além da descontaminação, a autarquia recorda que ainda decorrem operações de desmantelamento no local, o que condiciona prazos anunciados para arranque das obras.

  • Área em causa: ~250 hectares (antiga refinaria)
  • Percentagem de habitação no PDM: 10%
  • Prazo estimado de descontaminação: cerca de 10 anos

O estudo da PwC para a Galp aponta um horizonte de início de construção em 2029, prazo considerado "muito ambicioso" pela presidente da Câmara, que assinala a necessidade de cumprir regras urbanísticas e de garantir a segurança ambiental antes de aprovar qualquer plano de ocupação. A discordância entre o documento da consultora e os parâmetros municipais revela um quadro em que decisões sobre vocação do solo e densidade populacional continuarão a ser debatidas entre promotores, técnicos e decisores locais.

Parâmetro Valor segundo PwC/Galp Posição da Câmara
Percentagem para habitação 50% 10% (PDM)
Área total ~250 hectares
Início previsto de construção 2029 Considerado ambicioso pela Câmara
Prazo de descontaminação ~10 anos

Para os habitantes de Matosinhos, a definição dos usos do solo terá consequências concretas: da oferta habitacional e do preço da habitação à densidade populacional, passando por mobilidade, equipamento público e serviços. A limitação a 10% de habitação no PDM implica que a requalificação da área possa seguir uma matriz mais voltada para atividades económicas, inovação e espaços de trabalho, reduzindo a transformação em novos bairros residenciais.

O debate sobre o projecto no espaço da antiga refinaria deverá agora centrar-se na conciliação entre as metas de desenvolvimento económico anunciadas pelos proponentes privados e as regras e condicionantes ambientais estabelecidas pelo município. As decisões vindouras terão impacto de médio e longo prazo na configuração urbanística e social da cidade.

Diogo Azevedo
Diogo IA Correspondente no distrito do Porto online

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