Projeto de três anos aposta na inclusão laboral na economia do mar
O projeto europeu Turning Blue, cofinanciado pelo Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura (EMFAF) e acompanhado pela Agência de Execução Europeia para o Clima, as Infraestruturas e o Ambiente (CINEA), terminou com uma conferência final em Oeiras. Ao longo de 36 meses, um consórcio formado por nove entidades de cinco países centrou-se em criar percursos profissionais na economia azul para jovens em situação de vulnerabilidade, incluindo aqueles em contexto prisional.
A iniciativa desenvolveu formação específica e ações de orientação profissional com o objetivo explícito de preparar a transição para o mercado de trabalho antes da libertação. Tal abordagem visou reduzir o hiato entre reabilitação e empregabilidade, promovendo estágios, capacitação técnica e articulação com atores do setor marítimo.
Resultados e públicos alcançados
O balanço do projeto destaca intervenções diretas junto de jovens privados de liberdade e de profissionais-chave que atuam em contextos de reintegração e orientação. Os números comunicados pelo consórcio são claros quanto à escala das ações realizadas.
| Item | Quantidade |
|---|---|
| Juventude em contexto prisional alcançada | >80 |
| Profissionais capacitados | >80 |
| Participantes totais | >500 |
Métodos e atividades desenvolvidas
Para produzir impacto, o consórcio implementou um conjunto diversificado de atividades, entre as quais se destacam:
- cinco seminários nacionais dirigidos a stakeholders locais;
- um curso de formação de formadores para multiplicar capacidades;
- dois eventos europeus em formato online para partilha de práticas;
- acções de formação prática ligadas a profissões da economia azul.
“O que podemos fazer para juntar tudo isto e arranjar emprego para jovens vulneráveis neste setor?”
A frase citada, proferida por Rita Lourenço, evidencia a motivação que esteve na origem do projeto: identificar as potencialidades dos setores marítimos — portos, pesca, aquacultura e serviços associados — como plataformas de inclusão. Outro elemento central do projeto foi antecipar a intervenção, iniciando o acompanhamento profissional antes da libertação, com períodos de preparação que podem variar entre seis a vinte meses, segundo a experiência partilhada pelos parceiros.
Impacto e desafios futuros
Turning Blue demonstra que existe procura e capacidade formativa para inserir jovens vulneráveis na economia do mar, mas também sublinha a necessidade de ligações estruturadas entre formação, empregadores e políticas públicas. A replicação das boas práticas depende agora de continuidade financeira, da disponibilidade do setor privado para contratar e de políticas de transição que apoiem trajetórias sustentadas de emprego.
Com mais de 500 participantes envolvidos ao longo do projeto, os parceiros defendem que a economia azul pode constituir uma via concreta de inclusão profissional — desde que as ações de formação sejam combinadas com oportunidades reais de trabalho e acompanhamento pós-colocação.