Consórcio propõe manter Coimbra-B e reduzir impacto em habitação e ambiente
A proposta apresentada pelo consórcio Lusolav para o 2.º troço da futura linha de alta-velocidade entre Lisboa e Porto prevê a manutenção da estação em Coimbra-B e visa evitar cerca de 45 demolições nas imediações suburbanas de Coimbra, segundo elementos divulgados esta semana. O documento, submetido no novo concurso para o troço Oiã–Soure, altera a configuração de entrada na cidade e aposta na reutilização de infraestruturas já existentes.
Ao contrário de uma proposta anterior, que propunha a deslocalização da estação para Taveiro, a solução agora apresentada recupera Coimbra-B como polo de alta velocidade, com a construção de um edifício-ponte que servirá tanto a Linha do Norte como a nova via de alta velocidade. Essa infraestrutura visa criar uma ligação integrada entre os dois sistemas ferroviários e reduzir o impacto urbanístico.
“criar uma ligação da linha de alta velocidade em ‘Y’ a norte da estação de Coimbra-B, junto à Adémia”
O consórcio explica que, em vez de duplicar a Linha do Norte entre Taveiro e Coimbra-B — solução que implicaria o maior número de expropriações no concelho — propõe uma configuração em «Y» a norte da estação, próximo da Adémia. Esta opção obrigaria os comboios vindos do sul a prosseguir até à Adémia e só depois a descerem para a futura estação, mas, em contrapartida, reduziria significativamente as expropriações e o impacto sobre habitações e áreas ambientais.
- Localidades diretamente referidas: Taveiro, Casais, Espanadeira e Bencanta.
- Demolições evitadas estimadas: 45 imóveis.
- Elementos de projeto: edifício-ponte, reutilização de parte da plataforma de Coimbra-B, espaço para escritórios e edifício para Infraestruturas de Portugal.
O consórcio sublinha igualmente que a proposta facilita a operação da Linha do Norte durante a fase de construção da alta velocidade, ao reduzir interferências com a via existente. Em termos ambientais, a solução anunciada pretende diminuir a intervenção na área a sul de Coimbra-B, junto à Mata Nacional do Choupal, e evitar que habitações não demolidas fiquem excessivamente próximas à nova linha, situação que estava prevista no traçado anterior.
Do ponto de vista do desenho urbano, o arquiteto do consórcio descreveu o edifício-ponte como uma “grande plataforma” que pode contribuir para a construção de identidade do sítio, prevendo-se ainda estacionamento exclusivamente em cave e espaços públicos nos pisos térreo e primeiro, uma medida justificada pela preocupação com o risco de cheias.
| Item | Descrição |
|---|---|
| Estação | Manutenção em Coimbra-B com edifício-ponte |
| Demolições evitadas | 45 (Taveiro, Casais, Espanadeira, Bencanta) |
| Impactes apontados | Menor expropriação, redução do impacto ambiental junto ao Choupal, operações ferroviárias mais fáceis durante obras |
A proposta surge no âmbito do relançamento do concurso para o segmento Oiã–Soure, depois de uma primeira tentativa ter ficado sem adjudicação devido a propostas que divergiam do caderno de encargos — nomeadamente a ideia inicial de transferir a estação para Taveiro. O prazo para entrega de candidaturas ao novo concurso terminou no início do mês.
Para os moradores das localidades afetadas, a diminuição do número de demolições representa uma redução do risco de deslocações forçadas e de perda de património residencial. A opção por usar parte da infraestrutura de Coimbra-B também pode implicar custos menores e prazos de execução diferentes, mas esses efeitos terão de ser avaliados no âmbito da análise técnica do projeto por parte das entidades públicas responsáveis.
A proposta do consórcio Lusolav é subscrita por empresas com presença histórica em obras de infraestrutura, e inclui a construção de um edifício para a Infraestruturas de Portugal e um espaço de escritórios. Seguem-se agora as fases de avaliação das propostas submetidas no concurso, que determinarão o caminho definitivo para o troço que atravessa a área de Coimbra.