A Associação de Dadores de Sangue do Concelho de Aveiro (ADASCA) reportou uma queda de 40% nas dádivas de sangue nos doze meses seguintes à mudança do posto fixo de recolha do Mercado de Santiago para o Mercado Manuel Firmino. O episódio insere-se num impasse com a Câmara Municipal, que recentemente vedou o acesso dos responsáveis da associação à sede administrativa situada no Mercado de Santiago, alegando motivos de segurança.
Impacto na recolha e nos dadores
Segundo a ADASCA, que mantém a sua sede administrativa em Santiago, a deslocação do posto de recolha — determinada pela empreitada de reabilitação do Mercado de Santiago — decorreu em julho de 2025, quando o anterior executivo cedeu temporariamente espaço no Mercado Manuel Firmino. Desde então, a associação diz ter registado a quebra assinalável de dadores, um número comunicado ao instituto nacional competente.
- Local afectado: Mercado de Santiago e Mercado Manuel Firmino, Aveiro.
- Redução das dádivas: 40% nos 12 meses subsequentes à mudança.
- Data relevante: pedido de desocupação por parte da autarquia em março; notificação por telefone a 24 de julho.
O presidente da ADASCA, Joaquim Carlos, atribui a diminuição à menor acessibilidade e aos custos de estacionamento no novo local, além dos incómodos associados à transferência. A associação também reclama falta de comunicação formal por parte da Câmara relativamente às exigências de desocupação e à necessidade de armazenar material.
"Segundo o Instituto Português do Sangue e da Transplantação, desde aí até 1 de julho deste ano, foi registada uma quebra de 40% de dadores", afirmou Joaquim Carlos.
Questões logísticas e de segurança
Em março, a autarquia contactou a ADASCA e outras entidades sediadas no mercado para retirarem temporariamente os seus equipamentos devido às obras. A associação contestou não ter alternativa viável para armazenar mesas, cadeiras de dádiva, computadores e outros materiais, alegando o elevado custo de possíveis espaços de armazenamento. A comunicação entre as partes tem sido em grande parte telefónica, segundo a ADASCA, e a associação afirma nunca ter recebido um ofício escrito a exigir a saída.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Redução de dadores | 40% (12 meses após mudança) |
| Locais | Mercado de Santiago (sede administrativa), Mercado Manuel Firmino (posto de recolha) |
| Contactos/autarquia | Pedido de retirada em março; telefone a 24 de julho de 2025 |
| Fonte dos dados | Instituto Português do Sangue e da Transplantação / ADASCA |
Para os moradores e potenciais dadores de Aveiro, a situação traduz-se em menor oferta de pontos de fácil acesso para doar sangue e em incerteza sobre a continuidade do posto fixo. A redução das dádivas tem implicações nas reservas locais e na capacidade de resposta a necessidades hospitalares, sobretudo considerando que as campanhas e a regularidade das recolhas dependem da estabilidade dos locais e da confiança dos doadores.
Até ao momento, a ADASCA exige clarificação por escrito acerca das condições de uso do espaço de Santiago e alternativas viáveis para armazenar material. A Câmara, por seu turno, justificou a vedação com razões de segurança ligadas às obras, segundo informação divulgada no acompanhamento do processo. O caso permanece em aberto, com efeitos já mensuráveis nas recolhas de sangue em Aveiro.