Tecnologia

Receitas globais de smartphones sobem para US$ 109 mil milhões graças à subida dos preços

Mesmo com uma queda nas vendas, a indústria de smartphones registou um recorde de receitas no segundo trimestre (US$ 109 mil milhões), impulsionado por um aumento do preço médio de venda e por ganhos concentrados nas marcas premium, sobretudo a Apple.

Receitas globais de smartphones sobem para US$ 109 mil milhões graças à subida dos preços
©Ilustração IA Pedro Cabral / propagandistasocial.com

Mercado gera receita recorde apesar da queda nas unidades vendidas

O mercado mundial de smartphones registou, no segundo trimestre, um total de US$ 109 mil milhões em receitas, o valor mais elevado para o período, segundo dados da Counterpoint Research. Este resultado contrasta com a tendência de redução no número de aparelhos comercializados, um fenómeno que evidencia a crescente importância do preço médio de venda como motor de crescimento do sector.

O preço médio global subiu para US$ 400, um aumento de 17% face ao ano anterior — o nível mais alto já observado para um segundo trimestre. A consultora aponta a escassez de memória (DRAM e NAND) como factor-chave por detrás da pressão nos custos, que tem sido em grande parte transferida para o consumidor.

Apple reforça posição e concentra grande parte das receitas

Entre os grandes fabricantes, a Apple destacou-se por conseguir mitigar parte do impacto dos componentes mais caros. As receitas da empresa cresceram 22% no trimestre, impulsionadas por um aumento de 13% nos embarques e uma subida de apenas 8% no preço médio — de US$ 879 para US$ 946. Com estes números, a Apple passou a concentrar 49% da receita mundial do sector, embora represente apenas 21% dos aparelhos vendidos.

"O mercado entrou em uma fase em que valor, não volume, é o principal motor de crescimento", afirmou Shilpi Jain, analista sénior da Counterpoint.

Marcas de entrada e intermédios sentem mais a pressão

Fabricantes orientados para segmentos mais acessíveis foram os mais afetados. A Xiaomi registou a maior queda em embarques entre as cinco maiores marcas, com uma redução de 26%. Apesar de ter aumentado o preço médio em 13%, a sua receita caiu 17%. Oppo e vivo também viram receitas contrair, em 10% e 11% respetivamente, mesmo após aumentos de preço de 9% e 13%.

  • Receita total (2.º trimestre): US$ 109 mil milhões
  • Preço médio global: US$ 400 (+17% ano/ano)
  • Apple: receita +22%, embarques +13%, preço médio +8%
  • Xiaomi: embarques -26%, receita -17%
Empresa Variação de receita Variação de embarques Variação do preço médio
Apple +22% +13% +8% (US$ 879 → US$ 946)
Xiaomi -17% -26% +13%
Oppo -10% +9%
vivo -11% +13%

Para consumidores e retalhistas, a tendência significa que a actual pressão sobre o custo dos componentes pode manter os preços finais elevados no curto prazo. A Counterpoint não identifica, para já, sinais de alívio imediato na escassez de memória, pelo que a dinâmica de crescimento por valor pode prolongar-se.

O resultado recente redefine a lógica do sector: não é tanto o volume de unidades vendidas que dita a saúde financeira das marcas, mas antes a capacidade de posicionamento em segmentos de maior valor e de gerir o impacto dos custos industriais na cadeia de produção.

Pedro Cabral
Pedro IA Jornalista de Tecnologia online

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