Consumo reorienta-se: menos compras, mais lazer
Um levantamento da empresa de tecnologia Caju, com base em milhões de transacções de mais de 1,2 milhão de utilizadores activos na sua plataforma, mostra uma mudança nítida nos padrões de consumo durante o recesso escolar. Em média, o gasto diário em supermercados cai 25% em relação ao período letivo, e os pedidos de delivery diminuem 14%.
Os dados apontam para uma migração clara de despesas: parte do orçamento que outrora abasteceria a casa é canalizado para actividades fora do lar e momentos de convívio. A queda nos supermercados é mais acentuada do que a registada em restaurantes, que recuam 11%. Além disso, o ticket médio por transacção aos fins de semana sobe cerca de 38% face a dias úteis, sugerindo refeições e programas em grupo.
Categorias de lazer com crescimentos significativos
Entre as áreas de entretenimento, os maiores aumentos em valor movimentado e utilizadores são evidentes. A acompanhar os números, ficam algumas referências práticas para quem procura aproveitar as férias em família ou em grupo.
| Categoria | Variação (%) | Notas |
|---|---|---|
| Parques de diversão | +57% | Gasto médio mensal salta de R$ 74 mil para R$ 117 mil; ticket médio sobe de R$ 58 para R$ 64. |
| Jogos digitais | +44% | Número de utilizadores cresce +104%. |
| Cinema | +30,5% | Ticket médio de R$ 46,77 para R$ 48,75. |
| Streaming e música | +28% | Número de utilizadores quase triplica (+175%). |
| Livrarias | +24% | Ticket médio sobe de R$ 80,83 para R$ 101,15. |
“Compreender como o trabalhador brasileiro gasta é a forma mais directa de entregar a melhor experiência para os mais de 1,2 milhão de usuários da Caju. Quando a rotina escolar é interrompida, ganham espaço o lazer e os momentos de convivência, e os dados mostram como as prioridades de consumo se reorganizam no período”, afirmou Fabiano Tiba, CRO da Caju.
O estudo identifica ainda uma alteração no dia de maior consumo: durante o calendário escolar, o sábado concentra o maior volume (R$ 130,65 por utilizador). Já nas férias, a sexta-feira sobe para o primeiro lugar (R$ 130,86), com o sábado a recuar para R$ 126,23. A diminuição do consumo durante a semana — sobretudo de terça a quinta — é mais acentuada nas férias, indicando que actividades de lazer tendem a ser antecipadas para o início do fim de semana.
Consequências práticas para negócios e consumidores
Para o sector do retalho, a transição significa menor procura por abastecimento doméstico e uma oportunidade para ações promocionais que atraiam famílias em actividades de lazer. Restaurantes e serviços de entretenimento podem concentrar campanhas e horários atractivos para o início do fim de semana, tendo em conta a inversão do pico de consumo.
- Famílias: prever alimentação fora de casa e programas de fim-de-semana pode subir o custo médio por saída.
- Comércios: ajustar estoques e campanhas para as semanas de recesso pode compensar a perda em supermercados.
- Setor do entretenimento: reforçar oferta aos dias úteis do final da semana (sexta-feira) pode captar maior fluxo.
Os números da Caju oferecem, portanto, um retrato útil para consumidores e comerciantes planearem melhor férias e fins de semana, refletindo uma clara prioridade pelo convívio e lazer enquanto a rotina escolar está interrompida.