A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria voltou a manifestar esta terça-feira a sua insatisfação com a atuação das seguradoras, seis meses depois da depressão Kristin ter causado danos generalizados no território. Em reunião do Conselho Intermunicipal em Leiria, os presidentes de câmara dos dez municípios integrados na CIM relataram não ter recebido qualquer confirmação formal sobre a validação dos prejuízos comunicados.
Sem validação dos prejuízos e com apoios a reduzir
O presidente da CIM destacou que, apesar de alguns pagamentos adiantados, esses montantes não substituem a avaliação e a validação oficiais dos danos por parte das seguradoras. A ausência desse reconhecimento impede que seja conhecido o verdadeiro balanço financeiro do impacto e cria incerteza quanto à capacidade de recuperação das empresas afetadas.
"Nenhum deles tem sequer a validação dos prejuízos por parte das seguradoras"
Segundo foi referido na reunião, a depressão provocou um rombo de cerca de 40% na economia da região — uma quebra cuja tradução em empregos, rendimentos familiares e sustentabilidade empresarial continua por clarificar. A CIM alerta ainda para o fim progressivo dos apoios estatais que têm vindo a sustentar a recuperação.
- Municípios envolvidos: Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.
- Preocupação principal: falta de validação dos prejuízos comunicados às seguradoras.
- Risco sinalizado: encerramento de empresas e perda de empregos se a situação se mantiver.
Na mesma linha, a CIM pediu uma atenção especial do Estado para a região, propondo a criação de uma área empresarial piloto focada em resiliência energética e comunicações, e num hub para energias renováveis — medidas que, segundo os autarcas, poderiam acelerar a recuperação económica e criar condições para a manutenção dos postos de trabalho.
Contexto nacional
Em paralelo, a Associação Portuguesa de Seguradores divulgou que, no conjunto do país, já foram participados mais de 219 mil sinistros resultantes do conjunto de tempestades no início do ano. Desses, cerca de 85% são de particulares e 15% correspondem a empresas. Este volume de ocorrências reforça a pressão sobre o setor segurador e explica, em parte, os atrasos na resposta.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Municípios na CIM | 10 |
| Impacto económico estimado | ~40% |
| Sinistros comunicados (país) | 219 000+ |
Para os leitores locais, a situação traduz-se em duas preocupações imediatas: a demora em obter a confirmação formal dos prejuízos por parte das seguradoras e a possível perda de capacidade operacional das empresas. Ambas as realidades podem afetar salários, serviços e a rede de fornecedores locais.
Os autarcas aguardam agora esclarecimentos por parte das seguradoras e solicitam ao Governo medidas que reforcem a resposta estratégica na região, incluindo instrumentos que acelerem a recuperação das empresas e protejam os postos de trabalho.