Um estudo do Banco de Portugal sobre a rede de acesso a numerário revela que, no final de 2025, seis freguesias do distrito de Portalegre não dispunham de qualquer ponto de acesso a dinheiro — caixas automáticas, agências com serviços de numerário ou pontos de cash-in-shop — afetando um total de 2.134 residentes. A conclusão integra um diagnóstico nacional que aponta desigualdades territoriais no acesso a serviços financeiros básicos.
Em Portugal existiam quase 18 mil pontos de acesso a numerário, dos quais cerca de 14.600 eram caixas automáticas (rede Multibanco), 2.700 agências com serviços de numerário e 550 pontos da rede Nickel. Ainda assim, das 3.092 freguesias, 1.241 (40%) não tinham qualquer ponto de acesso, o que obriga aproximadamente 700 mil pessoas a deslocarem-se fora da sua freguesia para obter dinheiro.
Impacto local e critérios de vulnerabilidade
O relatório sublinha que a ausência de um ponto de acesso numa freguesia não significa necessariamente cobertura insuficiente, quando existem pontos próximos em freguesias vizinhas. Contudo, o Banco de Portugal definiu critérios para identificar freguesias potencialmente vulneráveis quando, por ponto de acesso, se verificam uma ou mais condições:
- servir, em média, 4.000 ou mais residentes;
- servir, em média, 150 km² ou mais;
- servir, em média, pelo menos 1.500 residentes e 50 km².
Com base nestes critérios foram identificadas 36 freguesias potencialmente mais vulneráveis a nível nacional. No conjunto do Alentejo, o estudo aponta 22 freguesias sem pontos de acesso: seis em Beja, dez em Évora e seis em Portalegre.
«a ausência de um ponto de acesso numa freguesia não implica, por si só, cobertura insuficiente»
Apesar desta ressalva, o diagnóstico relata ainda que existem 15 freguesias onde a distância média ao ponto mais próximo ultrapassava os 20 km, abrangendo 3.140 residentes e uma área combinada de 488 km² — situações que ilustram limitações territoriais significativas.
Consequências práticas para os habitantes
Para os moradores das freguesias sem pontos de acesso, a falta de caixas automáticas e serviços presenciais traduz-se em custos de mobilidade, perda de tempo e maior dependência de transporte privado ou de terceiros. Isto pode agravar a exclusão de pessoas mais idosas ou sem competências digitais, que continuam a necessitar de dinheiro em papel para compras, pagamentos e serviços locais.
| Indicador | Valor (nacional) |
|---|---|
| Pontos de acesso a numerário | ~18.000 |
| Caixas automáticas (Multibanco) | ~14.600 |
| Freguesias sem ponto de acesso | 1.241 |
| Residentes afetados em Portalegre | 2.134 |
As autoridades locais, instituições financeiras e operadores de serviços terão de avaliar soluções adaptadas: desde parcerias para instalar pontos de cash-in-shop, reforço de serviços móveis ou iniciativas comunitárias que atenúem o impacto da desertificação bancária. Para os cidadãos, é essencial conhecer alternativas disponíveis e planear deslocações quando necessário.
O estudo do Banco de Portugal contribui assim para um quadro mais nítido das assimetrias no acesso a numerário, deixando em aberto a necessidade de ações coordenadas que preservem a inclusão financeira nas zonas rurais do distrito de Portalegre.