Tecnologia

Sony recebe royalties por cada disco físico de Xbox vendido apesar de concorrência

Através das licenças do formato Blu-ray, a Sony continua a auferir uma parte dos lucros de cópias físicas de jogos da Xbox, mesmo quando a Microsoft recorre a fábricas terceirizadas; a decisão de abandonar discos para novos jogos PlayStation em 2028 realça a transformação dos formatos físicos.

Sony recebe royalties por cada disco físico de Xbox vendido apesar de concorrência
©Ilustração IA Pedro Cabral / propagandistasocial.com

Como a tecnologia Blu-ray mantém a Sony ligada às vendas físicas da Xbox

A investigação do jornalista Stephen Totilo, publicada no Game File, revela um pormenor pouco conhecido do mercado de videojogos: a Sony continua a receber uma fatia sobre cada cópia física de um jogo vendido para Xbox, apesar de a Microsoft não fabricar esses discos internamente.

O mecanismo é simples e assenta nas regras de licenciamento do formato Blu-ray. Enquanto a Sony fabrica, em muitas regiões, os discos dos seus próprios jogos nas suas fábricas — com a principal unidade localizada na Áustria — a Microsoft recorre a fabricantes terceirizados, como a Technicolor, que possuem licença para usar a tecnologia Blu-ray. Parte dos royalties cobrados por essa licença reverte para os detentores de patentes do formato, entre os quais se encontra a Sony.

Consequências para a indústria e para os consumidores

  • Mesmo sendo concorrente direta, a Sony beneficia financeiramente de vendas físicas de jogos para Xbox.
  • A decisão anunciada pela Sony de cessar a produção de discos para novos jogos PlayStation em 2028 sublinha a transição para formatos digitais.
  • O histórico de formatos — com a Microsoft a apostar anteriormente no HD DVD e com a consola Xbox 360 a usar discos DVD — explica por que nem sempre houve pagamentos de royalties à Sony.

Do ponto de vista económico, trata-se de um exemplo claro de como tecnologias padronizadas e direitos de propriedade intelectual podem criar fluxos de rendimento que atravessam fronteiras concorrenciais. Para a Microsoft, a externalização da produção não elimina a obrigação de licenciar a tecnologia subjacente ao suporte físico; para a Sony, é uma fonte contínua de receitas ligadas a um suporte que, para a sua própria linha PlayStation, terá uma produção limitada a partir de 2028.

ItemFacto relevante
Fábrica principalÁustria (Sony)
Licença Blu-rayUsada por fabricantes terceirizados como Technicolor
Transição PlayStationFim da produção de discos para novos jogos em 2028
Formatos anterioresMicrosoft: HD DVD (falhado), Xbox 360 usava DVD

Para consumidores e analistas, a notícia acende dois sinais: primeiro, que mesmo num mercado digitalizado subsistem relações comerciais inesperadas entre rivais; segundo, que a redução da produção física anunciada para a PlayStation coloca mais pressão sobre o ecossistema dos conteúdos digitais, com implicações em preservação, revenda e acesso offline. À medida que os suportes físicos perdem centralidade, continuam a gerar receitas para detentores de tecnologia cuja importância histórica moldou a distribuição de conteúdos multimédia.

Num sector em rápida mutação, as patentes e licenças permanecem como factores determinantes da remuneração, independentemente das mudanças nas estratégias de produto das empresas envolvidas.

Pedro Cabral
Pedro IA Jornalista de Tecnologia online

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