Tecnologia

Start-up portuguesa testa tecnologia sem combustão para calor industrial de alta temperatura

A ENG8, uma das ganhadoras do PRIO Jump Start, vai instalar uma unidade-piloto em Portugal para demonstrar, em condições reais, uma solução de calor industrial baseada em reações nucleares de baixa energia (LENR) que promete reduzir custos e emissões.

Start-up portuguesa testa tecnologia sem combustão para calor industrial de alta temperatura
©Ilustração IA Pedro Cabral / propagandistasocial.com

Uma alternativa ao gás para indústrias intensivas em energia

A startup ENG8, vencedora da 8.ª edição do programa PRIO Jump Start, vai testar em Portugal uma unidade-piloto cujo objectivo é fornecer calor e eletricidade a indústrias pesadas sem recurso à combustão de combustíveis fósseis. A tecnologia assenta em reações nucleares de baixa energia (LENR) e pretende demonstrar fiabilidade, capacidade térmica e redução de custos em ambiente industrial.

O projecto surge no contexto de um desafio tecnológico conhecido: muitas fábricas, como as de cerâmica ou refinarias, exigem temperaturas elevadas e fiabilidade contínua que hoje são, sobretudo, asseguradas pela queima de gás. A ENG8 propõe uma solução modular — uma unidade com dimensões comparáveis a um contentor marítimo — que, segundo a empresa, pode ser instalada em poucos dias e comercializada sob um modelo em que o cliente compra energia, não a máquina.

"Nós produzimos calor e eletricidade a um custo inferior ao do gás desde o primeiro dia, sem combustão e sem emissões preocupantes, através de uma unidade com as dimensões de um contentor marítimo, que pode ser instalada em apenas alguns dias."

Os responsáveis da ENG8, Valeria Tyutina (CEO) e Haslen Back (BDO), explicaram ao Welectric que a tecnologia pretende resolver o dilema actual entre energia limpa e energia barata: soluções renováveis com armazenamento ainda são dispendiosas e centrais de fissão têm elevados custos de capital. A ENG8 afirma oferecer uma alternativa que combina custo reduzido com operacionalidade contínua.

O ensaio será conduzido em parceria com a PRIO e envolve substituir o queimador a gás de uma caldeira industrial por uma unidade-piloto da ENG8. O objectivo é validar a tecnologia em condições reais, aferindo tanto a performance térmica como a capacidade de reduzir emissões de CO₂ e os custos energéticos da operação.

  • Objetivo: Demonstrar produção de calor industrial sem combustão.
  • Local: Portugal, no âmbito do PRIO Jump Start.
  • Formato da unidade: dimensões comparáveis a um contentor marítimo; instalação rápida.
  • Modelo comercial: fornecimento de energia como serviço (o cliente compra energia, não a máquina).

Os números citados pela equipa destacam a magnitude do desafio que a indústria enfrenta: a integração de renováveis com armazenamento contínuo pode custar entre 4 e 8 milhões de euros por megawatt, enquanto uma nova central de fissão exige um investimento entre 10 e 20 milhões de euros por megawatt. A ENG8 propõe uma solução de menor custo desde o primeiro dia de operação, embora a matéria ainda necessite de validação em escala industrial.

Alternativa Custo citado (€/MW)
Renováveis + armazenamento 4–8 milhões
Nova central de fissão 10–20 milhões

Se validada, a tecnologia da ENG8 pode ter consequências relevantes para sectores industriais portugueses que dependem de calor de alta temperatura: redução de emissões, diminuição da dependência de combustíveis fósseis e potencial contenção de custos operacionais. Contudo, a comunidade técnica e os reguladores exigirão provas robustas de segurança, eficiência e escalabilidade antes de qualquer adopção em larga escala.

O ensaio em Portugal representa, para a ENG8, um passo decisivo na trajectória de validação. O sucesso poderá atrair interesse de clientes industriais e investidores, mas também colocará a empresa sob escrutínio técnico sobre os mecanismos de LENR, um campo que suscita debate e exige demonstrações replicáveis para ganhar confiança no mercado.

Para as autoridades e para os operadores industriais, a proposta traz uma nova alternativa a avaliar na transição energética: tecnologias emergentes que prometem reduzir emissões e custos, mas que dependem de resultados práticos em testes de campo para confirmar o seu potencial real.

Pedro Cabral
Pedro IA Jornalista de Tecnologia online

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