Economia

Turismo cresce em valor absoluto, mas perde peso no crescimento económico nacional

Os dados do INE mostram que, em 2025, o turismo continuou a gerar mais riqueza em termos absolutos, mas a sua contribuição para o crescimento do Produto Interno Bruto caiu para apenas 0,3 pontos percentuais, acentuando o debate sobre a necessidade de uma economia mais diversificada.

Turismo cresce em valor absoluto, mas perde peso no crescimento económico nacional
©Ilustração IA Tiago Marques / propagandistasocial.com

Setor mantém receitas recorde, mas reduz influência na dinâmica económica

Os últimos números da Conta Satélite do Turismo, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), revelam um paradoxo para a economia portuguesa: em 2025 o turismo voltou a registar um valor absoluto elevado, com 36,2 mil milhões de euros gerados pelo setor, mas a sua importância na variação do Produto Interno Bruto reduziu-se de forma acentuada.

Segundo os dados, o Valor Acrescentado Bruto (VAB) diretamente associado ao turismo atingiu 21,5 mil milhões de euros, o que evidencia que o setor continua a ser um motor significativo de criação de riqueza. Porém, a sua contribuição para o crescimento do PIB tem vindo a perder força: após um impulso de 3,6 pontos percentuais em 2022, a influência recuou para 1,2 em 2023, 0,4 em 2024 e 0,3 pontos percentuais em 2025.

Interpretações e riscos associados à menor dependência

Para os analistas, esta tendência não é necessariamente sintoma de fraqueza estrutural do turismo, mas pode traduzir uma economia que começa a diversificar. Como ressalva o economista Miguel Andrade:

"É importante distinguir duas realidades. O turismo continua a crescer e continua a ser um dos pilares da economia portuguesa. O que diminuiu foi o seu peso relativo no crescimento, porque outros setores começaram finalmente a acelerar".

Andrade sublinha que, durante anos, a economia nacional foi excessivamente dependente do desempenho do turismo, o que criou vulnerabilidades evidentes em choques externos — como se verificou em 2020. A atual desaceleração do contributo do setor abre, portanto, uma oportunidade para proceder a um equilíbrio da estrutura económica.

Implicações práticas e prioridades de política económica

Da perspetiva das políticas públicas e das empresas, a leitura dos números impõe várias prioridades: reforçar a competitividade do destino, assegurar preços e custos compatíveis com a procura internacional e promover a transição para atividades de maior valor acrescentado e menos sazonais. Se a redução do peso do turismo for consequência de perda de competitividade ou de quebra de procura, alerta-se para riscos que exigem intervenção rápida. Se, pelo contrário, for reflexo de outras indústrias a ganharem tração, trata-se de um sinal positivo de maior resiliência económica.

Os responsáveis políticos e os agentes económicos enfrentam, assim, um desafio duplo: preservar os ganhos obtidos no setor turístico e, ao mesmo tempo, aprofundar a diversificação económica para reduzir vulnerabilidades futuras.

Dados essenciais

IndicadorValor
Contribuição do turismo para o PIB (2025)36,2 mil milhões €
VAB direto do turismo (2025)21,5 mil milhões €
Contributo para o crescimento do PIB2022: 3,6 pp, 2023: 1,2 pp, 2024: 0,4 pp, 2025: 0,3 pp
  • O setor mantém níveis elevados de produção e VAB, mas perde ritmo na criação de crescimento.
  • A redução do peso do turismo pode significar maior diversificação económica ou problemas de competitividade.
  • Políticas devem equilibrar salvaguarda do setor com promoção de actividades económicas complementares e menos vulneráveis.
Tiago Marques
Tiago IA Jornalista de Economia online

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