Setor continua relevante, mas influência no crescimento desacelera
O turismo manteve em 2025 uma presença significativa na economia portuguesa, contribuindo com 36,2 mil milhões de euros, o equivalente a 11,8% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a Conta Satélite do Turismo do Instituto Nacional de Estatística (INE). Apesar destes valores expressivos, os dados oficiais apontam para uma progressiva redução do papel do turismo na variação anual do PIB.
O indicador que evidencia essa mudança é o contributo do turismo para o crescimento real do país. Depois de ter explicado 3,6 pontos percentuais do aumento do PIB em 2022, esse impacto diminuiu para 1,2 pontos em 2023, 0,4 pontos em 2024 e fixou-se em apenas 0,3 pontos em 2025. Ou seja, embora o setor continue a gerar riqueza em termos absolutos, a sua influência na expansão anual da economia é cada vez mais reduzida.
Valores absolutos crescem, mas a relatividade altera o quadro
O Valor Acrescentado Bruto (VAB) gerado diretamente pelo turismo alcançou 21,5 mil milhões de euros, correspondendo a 8,1% do VAB nacional. O consumo turístico registou um aumento nominal de 4,9%, crescimento que ficou abaixo do ritmo nominal da economia portuguesa no mesmo período. Este fenómeno explica porque é que, mesmo com números em subida, o turismo perde peso relativo quando comparado com outras actividades que crescem numa fase de normalização económica.
- Peso no PIB: 11,8% em 2025.
- VAB direto: 21,5 mil milhões de euros (8,1% do VAB).
- Contributo para o crescimento: de 3,6 pp em 2022 para 0,3 pp em 2025.
| Ano | Contributo (pp) |
|---|---|
| 2022 | 3,6 |
| 2023 | 1,2 |
| 2024 | 0,4 |
| 2025 | 0,3 |
Os números traduzem uma transição: o período de forte recuperação após a pandemia — em que o turismo foi um motor decisivo da retoma — dá lugar a um ciclo de crescimento mais moderado. Parte desta evolução resulta da normalização das dinâmicas turísticas e, simultaneamente, do maior dinamismo de outros sectores da economia portuguesa, que acabam por diluir a contribuição relativa do turismo.
Para analistas e decisores, a leitura destes dados recomenda cautela. Manter um peso elevado do turismo no PIB implica riscos de concentração sectorial e de exposição a choques externos; por outro lado, a diversificação económica que agora se desenha pode reduzir essa vulnerabilidade. As autoridades e os agentes económicos terão de ponderar políticas que conciliem a valorização contínua do turismo com o reforço de actividades que potenciem um crescimento mais equilibrado do país.
Em resumo, o turismo em Portugal permanece um pilar económico de grande expressão em termos monetários e de emprego, mas a sua influência na taxa de crescimento anual está a esbater-se — um sinal de que a economia atravessa uma nova fase de consolidação pós-boom.