Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) colocam a Península de Setúbal entre as regiões do país que registaram uma redução da procura turística em 2025: -3,5%. Em contraste, o Alentejo assinalou um aumento de 3,8%, ficando apenas atrás do Norte e da Madeira.
Desempenho comparado e dependência do mercado externo
O balanço divulgado pelo INE mostra um panorama regional desigual. A procura turística nacional manteve comportamentos distintos por região, com a Península de Setúbal a evidenciar uma quebra, enquanto o Alentejo e a Região Autónoma da Madeira registaram crescimento. O relatório sublinha ainda a relevância do mercado interno para o Alentejo — os visitantes estrangeiros representaram apenas 33,5% do total naquela região — um padrão que tem implicações para a fórmula de promoção turística.
Sazonalidade: um desafio persistente
Um dos pontos centrais do relatório é a persistente concentração da procura em períodos curtos do ano. Em 2025, o Alentejo manteve a mais elevada taxa de sazonalidade do país, com 43,6%. A Península de Setúbal surge em segundo lugar, com uma taxa de 41,4%, ligeiramente inferior à registrada em 2024 (42,2%). Esta concentração temporal da procura representa um desafio para operadores, alojamento e serviços locais, que enfrentam picos sazonais e períodos de ociosidade.
- Variação da procura (2025): Alentejo +3,8% ; Península de Setúbal -3,5% ; Algarve -0,2%.
- Dependência internacional: Alentejo com 33,5% de quota estrangeira.
- Sazonalidade: Alentejo 43,6% ; Península de Setúbal 41,4%.
| Região | Variação da procura (2025) | Taxa de sazonalidade |
|---|---|---|
| Alentejo | +3,8% | 43,6% |
| Península de Setúbal | -3,5% | 41,4% |
| Algarve | -0,2% | - |
Para a comunidade local, estes números traduzem-se em efeitos práticos: variações na procura afetam rendimento de alojamentos, restaurantes e operadores turísticos, bem como a previsibilidade de emprego sazonal. A elevada sazonalidade implica maior necessidade de estratégias que prolonguem a atividade para além do pico estival e diversifiquem a oferta.
Autoridades locais, associações comerciais e operadores do setor têm, assim, argumentos quantificados para ajustar planos de promoção e investimento. A recuperação ou a mitigação da quebra na Península de Setúbal dependerá de ações coordenadas que valorizem os recursos locais, atraiam visitantes fora da época alta e reforcem a atração de mercados internacionais quando possível.