Começou em Busan, na Coreia do Sul, a 48.ª reunião do Comité do Património Mundial da UNESCO, onde serão avaliadas 30 candidaturas submetidas por diferentes países. Entre as propostas que merecem atenção internacional figuram, segundo a lista apresentada pela organização, as fortalezas portuguesas, cuja inclusão na lista de Património Mundial está agora em análise.
Prioridades do comité e candidaturas em destaque
O encontro, que se estende por dez dias, reúne especialistas e representantes de mais de 150 países e procura «dar vida» à convenção do Património Mundial através da eleição de novos sítios e do exame do estado de conservação de locais já inscritos. Na abertura dos trabalhos, o diretor-geral da UNESCO sublinhou os grandes desafios que marcam as deliberações: alterações climáticas, urbanização acelerada e conflitos armados.
«O Comité do Património Mundial dará vida à convenção durante os próximos 10 dias, considerando novas nomeações, examinando o estado de conservação e abordando desafios crescentes como as alterações climáticas, a urbanização e os conflitos», afirmou Khaled El-Enany.
Entre as candidaturas referidas pela UNESCO constam propostas com forte carga histórica e simbólica. Destacam-se o sítio cultural da Ribeira Sacra (Espanha), cuja inscrição enfrenta reserva por parte do Icomos relativamente à sua integridade e autenticidade; a candidatura conjunta do Teatro Amazonas (Manaus) e do Theatro da Paz (Belém), do Brasil; e a tramitação com caráter de urgência da candidatura palestiniana de Sebastia, em resposta a riscos relacionados com ordens de expropriação.
Contexto regional e implicações
O Comité analisará ainda uma diversidade de propostas que ilustram a amplitude do património em competição: o monte Olimpo grego (categorizado como sítio misto cultural e natural), as praias do desembarque da Normandia e as fortalezas medievais de Carcassonne (França), um conjunto de obras de Alvar Aalto proposto pela Finlândia, além de conjuntos como as antigas capitais japonesas de Asuka e Fujiwara, e candidaturas de teatros comunitários italianos.
Para Portugal, a inclusão das fortalezas na agenda da UNESCO pode traduzir-se em visibilidade internacional, maior proteção jurídica e oportunidades de desenvolvimento cultural e turístico. A análise do Icomos e as deliberações do Comité serão determinantes para a evolução destes dossiês.
- Evento: 48.ª reunião do Comité do Património Mundial, em Busan
- Participantes: mais de 3.000 representantes de 150 países
- Principais temas: novas inscrições, conservação e impacto das alterações climáticas, urbanização e conflitos
| País | Sítio/Candidatura |
|---|---|
| Portugal | Fortalezas portuguesas (lista de candidaturas) |
| Espanha | Ribeira Sacra (sítio cultural) |
| Brasil | Teatro Amazonas e Theatro da Paz (candidatura conjunta) |
| Palestina | Sebastia (tramitação de urgência) |
| Grécia | Monte Olimpo (sítio misto) |
À escala global, esta sessão do Comité ocorre num contexto marcado por pressões ambientais e sociais que acentuam a necessidade de mecanismos de proteção eficazes. As decisões tomadas em Busan terão impacto sobre a gestão e a salvaguarda de bens culturais e naturais, influenciando políticas de conservação nos países proponentes.
Nos próximos dias, os pareceres do Icomos e as votações do Comité irão clarificar o destino das candidaturas, incluindo a dos conjuntos fortificados portugueses. A expectativa reside tanto na valorização patrimonial quanto nas responsabilidades de preservação que decorrem de uma eventual inscrição na lista do Património Mundial.