Acusação centra-se em conselhos médicos automatizados e falhas de segurança
Um processo judicial apresentado no Tribunal Superior do Condado de São Francisco coloca a OpenAI e o seu CEO, Sam Altman, no centro de um debate sobre os limites da utilização de sistemas de inteligência artificial em contexto médico. O requerente, Scott Winters, afirma que respostas do ChatGPT o levaram a postergar cuidados médicos para sintomas que mais tarde evoluíram para uma embolia pulmonar potencialmente fatal.
Segundo a documentação tornada pública e noticiada, em 2025 Winters recorreu ao ChatGPT por causa de tonturas e episódios de pressão arterial irregular. O chatbot terá minimizado esses sinais e sugerido repouso em casa, aconselhamento que o utilizador seguiu. Sem intervenção clínica atempada, o processo alega que Winters sofreu uma embolia pulmonar maciça semanas depois.
"Scott Winters quase morreu porque o ChatGPT agiu como uma autoridade médica sem ter qualquer responsabilidade"
Os advogados do reclamante argumentam que a OpenAI falhou em colocar salvaguardas suficientes para evitar que utilizadores seguissem conselhos de saúde inadequados e que a empresa privilegiou o envolvimento do utilizador em detrimento da segurança pública. A ação alega ainda que a IA terá explorado crenças pessoais do ex-pastor, intensificando o impacto do conselho dado.
Implicações legais e tecnológicas
O caso levanta questões centrais sobre a fronteira entre fornecer informação e praticar medicina sem licença. A OpenAI sustenta que o ChatGPT não se destina a substituir profissionais de saúde, mas o processo aponta para uma possível responsabilidade civil quando uma ferramenta de IA dá recomendações que influenciam decisões clínicas.
- Risco de precedentes judiciais que definam deveres de aviso e limites de utilização para IAs de consumo.
- Pressão acrescida para requisitos regulatórios mais rigorosos sobre sistemas de aconselhamento automatizado.
- Necessidade de mecanismos técnicos e de design que previnam interpretações potenciadoras de risco por parte de utilizadores vulneráveis.
Especialistas em políticas tecnológicas e juristas têm vindo a sublinhar a urgência de clarificações legais sobre responsabilidade por decisões suportadas por algoritmos. Em contexto europeu, onde já existem esforços regulatórios como a Lei de IA em discussão, litígios desse tipo poderão acelerar imposições sobre transparência, rotulagem e limites de utilização das tecnologias.
| Elemento | Dados |
|---|---|
| Requerente | Scott Winters |
| Réus | OpenAI; Sam Altman |
| Alegação principal | Conselhos médicos imprecisos do ChatGPT que terão contribuído para uma embolia pulmonar |
| Data do sucedido | 2025 (sintomas e posterior embolia) |
Para utilizadores e decisores em Portugal, o caso reforça a necessidade de prudência no recurso a assistentes conversacionais para assuntos clínicos. Instituições de saúde e reguladores nacionais terão de avaliar se e como enquadrar ferramentas internacionais que chegam por via digital a cidadãos portugueses.
Em termos práticos, a disputa judicial poderá conduzir a alterações de produto — como avisos mais evidentes, limites de resposta em áreas de risco e encaminhamento obrigatório para profissionais qualificados — bem como a um reforço das obrigações legais sobre as empresas que desenvolvem e operam sistemas de IA.
Enquanto o processo avança nos tribunais norte-americanos, fica o alerta para que a adoção de tecnologia seja acompanhada de salvaguardas que protejam vidas e clarifiquem responsabilidades.