Cooperação científica visa transformar potencial agrícola angolano em valor económico
O Vietname anunciou disponibilidade para partilhar tecnologias agrícolas e florestais com Angola, numa iniciativa centrada em converter recursos naturais em produtividade e valor acrescentado. A iniciativa foi apresentada num seminário realizado em Luanda, organizado pela Embaixada do Vietname em parceria com a Associação Empresarial Vietnamita em Angola, e contou com representantes ministeriais e empresariais de ambos os países.
O encontro surge na sequência da visita a Hanói dos ministros angolanos dos Negócios Estrangeiros, Tete António, e da Agricultura e Florestas, Isaac Francisco Maria dos Anjos, e pretende traduzir em ações o Plano de Ação de Cooperação Agrícola Vietname-Angola 2025–2030. Uma meta declarada é elevar o comércio bilateral para US$ 1 bilião.
O embaixador do Vietname em Angola, Duong Chinh Chuc, sublinhou no discurso de abertura a importância da ciência e tecnologia para a conservação dos recursos florestais, o monitoramento de incêndios, a restauração de ecossistemas e o desenvolvimento económico sustentável da floresta. Segundo a diplomacia vietnamita, o País pode partilhar experiências em áreas como melhoramento genético, aquicultura, agricultura adaptada às alterações climáticas, agricultura digital e gestão florestal sustentável.
"A discussão de hoje não se trata de um lado ensinar e o outro aprender, mas sim de trocar abertamente pontos de vista sobre necessidades práticas, desafios existentes e como promover a cooperação de forma eficaz e substancial"
O seminário pretende igualmente ligar empresas dos dois países para acelerar a implementação de projectos concretos. Recorda-se que, no final de 2025, uma delegação de cooperação Sul‑Sul do ministério vietnamita visitou Angola e obteve resultados que agora se propõem aprofundar com visitas e projectos de seguimento.
Impactos e prioridades identificadas incluem:
- Transferência de conhecimentos em melhoramento genético e sementes adaptadas ao clima;
- Implementação de agricultura digital e sistemas de monitorização remota;
- Gestão florestal para prevenção de incêndios e restauração de ecossistemas;
- Conexão entre empresas para desenvolver cadeias de valor e comércio bilateral.
Do ponto de vista tecnológico, a colaboração assenta numa combinação de capacidades públicas e privadas, com enfoque em soluções aplicadas que aumentem produtividade e sustentabilidade. Para Angola, a cooperação representa uma oportunidade para acelerar a modernização do sector agrícola e florestal; para o Vietname, consolida um papel de exportador de soluções técnicas e know‑how adaptadas a climas tropicais.
| Item | Exemplo prático |
|---|---|
| Melhoramento genético | Sementes e práticas para culturas resilientes |
| Agricultura digital | Plataformas de dados e monitorização remota |
| Gestão florestal | Sistemas de alerta para incêndios e restauração |
Perante estes compromissos, operadores e decisores angolanos terão de priorizar capacidades institucionais, formação técnica e mecanismos de financiamento que permitam absorver tecnologia e traduzi‑la em produção e exportações. A meta de comércio de US$ 1 bilião funciona como referência ambiciosa, mas a concretização dependerá de projetos de longo prazo e da capacidade de transformar transferências técnicas em cadeias de valor competitivas.
O seminário reforça ainda a narrativa de cooperação Sul–Sul, em que a troca de experiências entre países em desenvolvimento procura respostas práticas para desafios climáticos, de segurança alimentar e de desenvolvimento económico.