O arquipélago dos Açores encaminhou, em 2025, cerca de 82% dos resíduos produzidos para operações de valorização, segundo os dados divulgados pelo Governo Regional. O resultado é acompanhado por uma subida da taxa de preparação para reutilização e reciclagem para 49% e por uma queda da deposição em aterro para 18%, face aos 44,9% registados em 2020.
Indicadores e contexto
Os números constam do Relatório Anual de Resíduos Urbanos de 2025 e foram referidos pelo secretário regional do Ambiente e Ação Climática, durante o lançamento da segunda edição da iniciativa “Menu Separar Sempre”, dirigida ao sector HORECA. O executivo regional associa a melhoria dos indicadores a um conjunto de medidas que inclui educação ambiental, legislação e programas estratégicos de prevenção e gestão de resíduos.
"voltou a crescer, alcançando 49%"
O governante sublinhou que a redução na deposição em aterro representa uma alteração significativa na gestão de resíduos da região e enquadra-se na Agenda para a Economia Circular dos Açores e no Programa Estratégico de Prevenção e Gestão de Resíduos dos Açores 20+ (PEPGRA 20+). Também foi referido o novo regime jurídico de prevenção e gestão de resíduos, recentemente aprovado, como instrumento que consolida a visão integrada baseada na prevenção, reutilização, reciclagem e valorização.
O que muda para os habitantes
- Menor depósito em aterro implica menos necessidade de expansão de espaços de eliminação e menor pressão sobre terrenos e paisagens insulares.
- O aumento da reciclagem e reutilização pode reduzir custos operacionais municipais e abrir oportunidades para cadeias locais de valorização.
- A promoção dirigida a hotelaria, restauração e similares procura tornar práticas de separação e redução de resíduos mais frequentes num sector com grande peso na economia regional.
O Governo Regional aponta também para a aposta contínua na educação e literacia ambiental como uma das alavancas do progresso: programas escolares, encontros regionais e campanhas anuais são referidos como contributos para a evolução observada na gestão de resíduos.
| Indicador | Valor | Referência temporal |
|---|---|---|
| Resíduos encaminhados para valorização | 82% | 2025 |
| Preparação para reutilização e reciclagem | 49% | 2025 |
| Deposição em aterro | 18% | 2025 (era 44,9% em 2020) |
Apesar dos resultados positivos, o executivo reconhece que a legislação por si só não resolve todos os desafios e que são necessárias medidas contínuas de sensibilização e infraestruturas para manter e melhorar as métricas alcançadas. Para os municípios e operadores locais, a manutenção destes resultados exigirá coordenação nos sistemas de recolha seletiva, investimento em centros de triagem e incentivos para a reutilização.
Para a população em geral, as alterações traduzem-se em benefícios ambientais imediatos — menos resíduos em aterro e mais materiais recuperados — e em potenciais ganhos económicos a médio prazo, se a valorização for acompanhada pelo desenvolvimento de actividades regionais ligadas à economia circular.