Uma horta vietnamita em solo japonês
Em Ishikawa, no Japão, uma mulher vietnamita de 32 anos transformou um terreno arrendado num espaço de produção agrícola que reproduz sabores e plantas da sua terra natal. Nguyen Thi Van, natural de Bac Ninh (antiga Bac Giang), mudou-se para o Japão em 2017 para trabalhar e, pela necessidade de reencontrar ingredientes familiares, começou a cultivar no seu tempo livre uma variedade de hortícolas e frutos típicos do Vietname.
A iniciativa de Nguyen não assenta em técnicas de ponta. Segundo a própria, privilegia práticas simples: adubação com estrume de galinha, rega adequada e aproveitamento da água da chuva. O resultado é uma horta diversificada, com plantas que vão desde cabaças e abóboras até beringela e amaranto.
- Local de origem: Bac Ninh (antiga Bac Giang)
- Local de cultivo: província de Ishikawa, Japão
- Ano de chegada ao Japão: 2017
- Principais culturas: cabaças, abóboras-moranga, buchas vegetais, melões-de-são-caetano, melancias, quiabos, tomates, beringelas, batatas, amaranto, alface
"Quando cheguei ao Japão, senti muita falta da minha terra natal, senti falta dos vegetais e sabores da culinária vietnamita que não são fáceis de encontrar no Japão. Então, decidi alugar um terreno para cultivar meus próprios vegetais e frutas vietnamitas"
As fotografias partilhadas nas redes sociais mostram treliças carregadas de abóboras e buchas, bem como fileiras de outras hortaliças. Por vezes, a produção ultrapassa as necessidades da família de Nguyen, que passa a distribuir o excedente entre vizinhos e conhecidos.
| Categoria | Exemplos |
|---|---|
| Frutos e cucurbitáceas | cabaças, abóboras-moranga, melancias, melões-de-são-caetano |
| Hortícolas | tomates, beringelas, batatas, alface, amaranto |
| Outros | buchas vegetais, quiabos |
Para os habitantes da Horta, esta história tem ecos locais: reflete a importância da preservação de saberes agrícolas tradicionais, a utilidade de técnicas simples e a prática de partilha comunitária quando a produção excede o consumo próprio. Além disso, evidencia como comunidades emigrantes mantêm laços com a cultura alimentar de origem, adaptando-a ao contexto e aos recursos disponíveis no país de acolhimento.
Embora a experiência de Nguyen se situe fora dos Açores, o caso sublinha oportunidades de intercâmbio de práticas agrícolas e de mercados de nicho — por exemplo, a procura por produtos étnicos que não são facilmente encontrados em países de acolhimento. A forma modesta e prática como esta horta é mantida pode igualmente inspirar hortelãos e pequenos produtores locais interessados em diversificar culturas ou em métodos sustentáveis de cultivo.