Empreendimento brasileiro aposta na confiança como método de venda direta
Um projecto agroecológico em Gonçalves, na Serra da Mantiqueira, criado por Sara Botinas e pelo chef Juliano Basile, abriu recentemente um espaço onde a horta funciona 24 horas e os visitantes «colhem e pagam» os produtos sem vigilância presencial. A experiência, divulgada pelo Metrópoles, combina produção hortícola, restauração e um pequeno mercadinho de produtos artesanais.
O funcionamento do sistema baseia‑se na autonomia do visitante: placas informam sobre a disponibilidade dos cultivos e tabelas indicam preços; quem visita colhe o que pretende e efectua o pagamento por Pix. Segundo a promotora do projecto, a dinâmica procura descomplicar a compra e reforçar um vínculo de confiança entre produtor e consumidor, além de oferecer uma experiência directa junto à produção.
"Proporcionamos uma experiência única que vai ligada à confiança que entregamos e à liberdade que as pessoas recebem. Os visitantes acham incrível poder colher o próprio alimento na hora e a qualquer hora",
O projecto, identificado como Double B, junta ainda um bar e actividades de degustação e formação, numa propriedade que pretende articular gastronomia e práticas agroecológicas. Sara é natural de Barcelona e, segundo a reportagem, mudou‑se para a região mineira para dedicar‑se mais ao trabalho com a terra.
Para a comunidade de Horta, a iniciativa merece atenção por três motivos práticos:
- Modelo de venda directa: reduz intermediários e pode incrementar rendimento dos pequenos produtores.
- Potencial turístico: a proposta combina experiência de contacto com a produção e oferta gastronómica, atraindo visitantes interessados em turismo rural.
- Baixo custo operacional: a confiança como mecanismo de pagamento e auto‑serviço diminui a necessidade de pessoal permanente fora do horário comercial.
Experiências de venda em regime de «auto‑serviço» e pagamento electrónico têm crescido em contextos urbanos e rurais. A aplicação prática em Horta dependeria de adaptações locais, nomeadamente no que respeita ao clima, tipologia de cultivos, legislação municipal e segurança. Projectos por cá que explorem a venda directa já existem em pequena escala, mas o formato 24 horas assente inteiramente na confiança é menos frequente e exigiria avaliação quanto ao risco de perdas e à aceitação comunitária.
Segue uma síntese dos dados conhecidos sobre o projecto brasileiro:
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Local | Gonçalves (Serra da Mantiqueira) |
| Responsáveis | Sara Botinas (natural de Barcelona) e Juliano Basile |
| Funcionamento | Horta 24h com sistema «Colha & Pague» e pagamento por Pix |
Para a comunidade local de Horta, operadores agrícolas, mercados e iniciativas de turismo rural poderão acompanhar experiências externas como esta para avaliar replicabilidade. O modelo realça que inovar na forma de comercializar produtos e na experiência do visitante pode acrescentar valor, mas implica ponderar riscos e condições específicas de cada território.