Decisão política após semanas de escassez
A Assembleia Municipal de Almada votou, a 21 de julho, a rejeição da moção de censura apresentada pelo PSD contra o executivo municipal liderado pela socialista Inês de Medeiros. A discussão, que se estendeu até às primeiras horas, decorreu num plenário marcado por forte participação popular e por perguntas incisivas dos vários partidos sobre a gestão da recente crise no abastecimento de água.
O debate surgiu na sequência de cortes no fornecimento que atingiram com particular gravidade a Costa da Caparica e zonas como a Charneca, e que mobilizaram protestos de rua. Segundo a oposição, os níveis dos reservatórios — que deveriam situar-se em cerca de 60% — terão caído progressivamente, chegando a perto de 10% antes de ações pontuais da autarquia e dos SMAS.
“Começamos pelo capítulo mais recente, a crise do abastecimento de água. Faltou, novamente, água em Almada e vamos recuar a Maio: os níveis dos reservatórios, que deveriam rondar os 60%, começam a cair, semana após semana, chegam a cerca de 10% antes da Câmara reagir.”
De acordo com registos do protesto e da cobertura mediática, a situação assumiu dimensão pública a partir de iniciais ações de rua — mais de 1.500 pessoas manifestaram-se nas rotundas e acessos à Costa da Caparica a 8 de julho — e da ativação, pela autarquia, do Plano de Contingência a 6 de julho, com a declaração de situação de alerta a ocorrer a 8 de julho.
Votação e posicionamentos
A votação da moção distribuiu-se segundo os alinhamentos partidários: o PS, a CDU e o Livre votaram contra; o BE absteve-se; e o voto favorável coube ao PSD, à IL e ao Chega. A moção foi apresentada pelo deputado municipal Luís Durão (PSD) e pretendia levar os temas da gestão da água e da responsabilização política a um escrutínio formal.
- Data da votação: 21 de julho
- Planos ativados: Plano de Contingência (6 de julho) e situação de alerta (8 de julho)
- Protesto: mais de 1.500 participantes (8 de julho)
| Partido | Voto |
|---|---|
| PS | Contra |
| CDU | Contra |
| Livre | Contra |
| BE | Abstenção |
| PSD | A favor |
| IL | A favor |
| Chega | A favor |
O plenário ficou marcado também por protestos de munícipes: várias pessoas tentaram assistir à sessão, mas muitas não conseguiram entrar devido à lotação esgotada da sala. Para além do debate sobre a moção, houve críticas e perguntas sem resposta acerca do calendário de ações da Câmara Municipal e dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) durante a crise.
Para os habitantes de Almada, a decisão representa, por ora, a manutenção do executivo na liderança do município, mas não encerra o debate público sobre a gestão dos serviços essenciais. A mobilização popular e as demandas da oposição colocam na agenda a necessidade de clarificação dos timings de intervenção, dos critérios de gestão dos reservatórios e das medidas de prevenção para épocas de maior exigência no consumo.