Votação e contexto
Na madrugada de 22 de julho, a Assembleia Municipal de Almada decidiu rejeitar a moção de censura apresentada pelo PSD contra a presidência da Câmara, liderada por Inês de Medeiros. A sessão extraordinária, realizada na sala Pablo Neruda do Fórum Romeu Correia, prolongou-se até de madrugada e atraiu grande atenção pública, com lotação esgotada e dezenas de munícipes acompanhando os trabalhos do exterior.
A moção, apresentada pelo deputado municipal do PSD Luís Durão, denunciava problemas que o partido considera estruturais no concelho, com destaque para a crise no abastecimento de água registada nas últimas semanas, especialmente na Costa da Caparica. O documento também apontava para falhas acumuladas noutras áreas consideradas essenciais para o dia a dia dos almadenses.
Distribuição de posições na Assembleia
| Partido/Força | Posição na votação |
|---|---|
| PSD | Favorável à moção |
| Iniciativa Liberal (IL) | Favorável à moção |
| Chega | Favorável à moção |
| Partido Socialista (PS) | Contra a moção |
| CDU | Contra a moção |
| Livre | Contra a moção |
| Bloco de Esquerda (BE) | Abstenção |
A votação traduziu-se num chumbo da iniciativa do PSD, com o PS, a CDU e o Livre a votarem contra, o BE a abster-se e o PSD, IL e Chega a votarem a favor.
Argumentos do PSD e resposta do executivo
Na intervenção que motivou a moção, Luís Durão enfatizou que a questão do abastecimento de água não foi um episódio isolado, mas sim o culminar de uma “acumulação de falhas” em nove domínios, que incluem água, proteção civil, habitação, higiene urbana, energia, fiscalidade, escolas, centros de saúde e o crescimento de bairros informais. Durão apontou datas e fases do problema hídrico, afirmando que os níveis dos reservatórios começaram a descer em maio e que o plano de contingência só foi ativado a 6 de julho, com a declaração de situação de alerta a 8 de julho.
“Começamos pelo capítulo mais recente, a crise do abastecimento de água. Faltou, novamente, água em Almada e vamos recuar a maio: os níveis dos reservatórios, que deveriam rondar os 60%, começam a cair, semana após semana, chegam a cerca de 10% antes da Câmara reagir.”
Em defesa, a presidente da Câmara, Inês de Medeiros, contrapôs que o problema não resultou de fugas nem apenas de infraestruturas locais e caracterizou a situação como um problema estrutural que abrange três municípios da Península de Setúbal: Seixal, Almada e Sesimbra. A autarca sublinhou que Almada é geograficamente mais desfavorecida e defendeu que a responsabilidade e a resposta exigem coordenação entre diferentes entidades.
Impacto local e próximos passos
A rejeição da moção mantém o atual executivo em funções, mas não encerra o debate público sobre as falhas apontadas. Para os residentes das zonas mais afetadas — nomeadamente a Costa da Caparica e a Charneca —, as críticas centram-se na perceção de demora nas medidas de contingência e na necessidade de investimentos e obras de renovação das redes de abastecimento.
- O episódio trouxe de novo para a agenda pública a questão da gestão hídrica no concelho.
- Ficou patente a divisão política entre forças municipais e a existência de exigência por mais esclarecimentos e medidas concretas.
- A persistência de problemas em várias áreas essenciais promete manter a atenção dos munícipes e da oposição sobre a atuação da Câmara.
Com a moção chumbada, espera-se que os debates e as solicitações de esclarecimento à administração central e às entidades gestoras de água continuem, enquanto os episódios de rutura de abastecimento e outras carências identificadas permanecem como vetores de contestação e pressão política local.