A Assembleia Municipal de Lisboa aprovou esta terça‑feira, por proposta do PEV, uma recomendação à Câmara para convocar uma reunião pública urgente com moradores e comerciantes sobre as medidas de transporte a aplicar durante o encerramento temporário da estação de metro de Santa Apolónia, prevista no âmbito das obras do Plano Geral de Drenagem.
Pedido de participação pública nas soluções de mobilidade
Segundo a proposta aprovada, a iniciativa pretende que o executivo municipal apresente e discuta com a população as alternativas de mobilidade que estão a ser equacionadas para mitigar os impactos do encerramento da linha entre Santa Apolónia e o Terreiro do Paço. Os proponentes sublinharam a necessidade de envolver residentes e comerciantes no desenho das soluções.
"uma reunião pública urgente com os moradores e comerciantes, no sentido de apresentar as soluções alternativas de mobilidade"
Durante a sessão, a deputada do PEV Joana Silva referiu que várias propostas locais já foram formuladas, entre as quais a criação de um corredor 'bus' contínuo entre Santa Apolónia e o Terreiro do Paço, o reforço da frequência de autocarros, a colocação de mais estações Gira e a definição de zonas de estacionamento para quem opte pela mobilidade ativa.
- Objetivo: envolver a população na definição das alternativas de transporte;
- Propostas apresentadas: corredor bus, mais autocarros, estações Gira e estacionamento para modos ativos;
- Motivação: obras do Plano Geral de Drenagem que obrigam ao encerramento temporário da estação.
A recomendação foi aprovada com os votos favoráveis dos partidos de esquerda — PS, Livre, BE, PAN, PCP e PEV —, enquanto PSD e Chega votaram contra. IL e CDS‑PP registaram a abstenção. O deputado do PSD Jorge Barata justificou o voto contra alegando que a Câmara tem vindo a trabalhar em articulação com o Metropolitano de Lisboa, a Carris e outras entidades para garantir soluções antes do encerramento, e que não faz sentido divulgar um plano ainda em fase de validação.
O debate coloca agora a autarquia perante a necessidade de esclarecer o calendário das intervenções e de apresentar alternativas concretas e credíveis para os milhares de utentes que diariamente utilizam a ligação subterânea naquela área ribeirinha. Para além das medidas anunciadas, moradores pedem clarificação sobre percursos alternativos, horários e informação acessível a quem depende do metro para deslocações laborais.
| Posição política | Voto |
|---|---|
| PS, Livre, BE, PAN, PCP, PEV | A favor |
| PSD, Chega | Contra |
| IL, CDS‑PP | Abstenção |
Para os lisboetas, a principal exigência imediata é transparência: um calendário credível das obras, comunicações claras sobre os percursos alternativos e a garantia de que o comércio local e os residentes não serão deixados sem soluções de transporte. A concretização de uma reunião pública pode ser um primeiro passo para alargar o diálogo e reduzir transtornos na circulação quotidiana.