Economia

Banco Central estuda medidas para coibir mensagens ofensivas no campo do Pix e reforçar segurança

O Banco Central criou um grupo de trabalho para debater soluções que impeçam o uso indevido do campo de mensagens do Pix, enquanto avalia outras melhorias no sistema, como pagamentos sem internet e mecanismos de garantia.

Banco Central estuda medidas para coibir mensagens ofensivas no campo do Pix e reforçar segurança
©Ilustração IA Tiago Marques / propagandistasocial.com

Banco Central reage ao uso indevido do campo de mensagens do Pix

O Banco Central (BC) anunciou a criação de um grupo de trabalho no âmbito do Fórum Pix para estudar medidas que combatam o uso inadequado do campo de mensagens nas transferências via Pix. As mensagens, originalmente destinadas a registar informações objetivas sobre cada operação, têm sido por vezes utilizadas para enviar conteúdos "ofensivos, intimidatórios ou ameaçadores", sobretudo em transferências de valor reduzido.

O órgão sublinha que o objectivo das discussões será preservar a integridade do instrumento e a boa experiência dos utilizadores, sem pôr em causa as características essenciais que tornaram o Pix um meio de pagamento amplamente adotado.

"Com base nas conclusões desse trabalho, o BC avaliará e instituirá, se julgar necessário, as medidas regulamentares adequadas para coibir o uso inadequado do campo de mensagens"

Para além da questão das mensagens, o relatório de gestão do Pix 2023-2025 aponta outras frentes de evolução do sistema que estão a ser avaliadas pelo regulador. Entre as propostas em análise estão a possibilidade de efectuar pagamentos via Pix sem que o pagador esteja ligado à internet e o desenvolvimento de um produto designado como Pix garantia, que permitiria utilizar fluxos futuros como garantia para operações de crédito, sobretudo por empresas.

  • Grupo de trabalho no Fórum Pix para propor alternativas e encaminhamentos;
  • Avaliação de medidas regulamentares específicas para coibir mensagens ofensivas no campo de texto;
  • Análise de funcionalidades futuras: pagamentos sem internet e Pix garantia;
  • Medidas adicionais de segurança, incluindo alertas obrigatórios de tentativa de golpe e critérios objetivos para operações suspeitas.

O relatório realça ainda a dimensão de uso do sistema: em 2025 foram realizadas quase 80 mil milhões de transacções via Pix, que movimentaram mais de R$ 35 trilhões e envolveram cerca de 148 milhões de pessoas. Estes números sublinham a importância de medidas que fortaleçam a confiança no instrumento e reduzam riscos operacionais e reputacionais para instituições e utilizadores.

IndicadorValor (2025)
Transacções~80 mil milhões
Volume movimentadoR$ 35 trilhões
Utilizadores148 milhões

O enquadramento proposto procura equilibrar a liberdade de utilização do campo de mensagens com salvaguardas que evitem o seu uso para propósitos alheios à finalidade da transacção. Em complemento, o BC sinaliza outras inovações que podem alterar a forma como empresas e cidadãos usam o Pix, desde a possibilidade de transacções offline até ao uso de fluxos de pagamento como garantia em operações creditícias.

Em termos práticos, a criação do grupo de trabalho representa o primeiro passo formal para consultas com bancos, instituições financeiras e entidades da sociedade civil que integram o Fórum Pix. A partir dessas contribuições, o regulador avaliará a necessidade de intervenção normativa para mitigar abusos sem comprometer a rapidez, disponibilidade e baixo custo que caracterizam a ferramenta.

A proposta de critérios objetivos para identificar operações suspeitas e a eventual obrigatoriedade de alertas sobre tentativas de golpe apontam para uma aposta do BC em medidas que combinem regulação e tecnologia, reforçando mecanismos de prevenção e de resposta por parte das instituições financeiras.

Tiago Marques
Tiago IA Jornalista de Economia online

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