Relatório do BdP destaca lacunas na rede de numerário que afetam o distrito
O Banco de Portugal identificou, no final de 2025, 1.241 freguesias sem qualquer ponto de acesso a dinheiro físico, o que corresponde a cerca de 40% do total das freguesias do país. Entre os concelhos com maiores desafios para aceder a numerário figura o de Beja, uma situação que decorre da conjugação da diminuição de balcões e caixas e das grandes distâncias entre localidades rurais e os pontos disponíveis.
O estudo do banco central aponta que existiam quase 18.000 pontos de acesso a numerário em Portugal, dos quais cerca de 14.600 (80%) eram caixas automáticas, 2.700 agências com serviços de numerário e 550 pontos cash‑in‑shop. Ainda assim, das 3.092 freguesias do país, 1.241 não dispunham de nenhum destes serviços, afetando sobretudo zonas rurais, onde muitos residentes precisam de sair da sua freguesia para levantar dinheiro.
"Nestes territórios, uma eventual contração da rede poderia revelar-se particularmente crítica para a população residente (174 mil pessoas, ou 1,7% da população nacional)".
Para a população do distrito de Beja, a ausência de pontos de numerário tem efeitos práticos sobre o quotidiano: quem vive em localidades mais isoladas enfrenta deslocações mais longas para levantar dinheiro, custos adicionais e dependência de serviço bancário remoto ou de terceiros. A situação pode agravar-se para idosos ou cidadãos com mobilidade reduzida que não conseguem deslocar‑se com facilidade aos centros urbanos onde existem caixas automáticas ou balcões.
O relatório do BdP identifica também 67 freguesias com constrangimentos mais graves — situadas a mais de 15 km do ponto de acesso mais próximo — e refere que em 15 freguesias a distância média supera os 20 km. A freguesia mais afastada mencionada no documento é a União das Freguesias de Quirás e Pinheiro Novo (Vinhais), a 30,6 km do ponto mais próximo.
- Impacto local: deslocações e custos acrescidos para levantar numerário.
- Grupos vulneráveis: idosos e populações sem literacia digital ficam mais expostos.
- Consequência económica: comércio local que ainda opera em numerário pode perder clientela nas áreas mais isoladas.
Para contextualizar os números, o relatório destaca que a presença de pontos de numerário não é homogénea no território e que, em algumas situações, a ausência desses pontos numa freguesia não significa necessariamente falta de acesso se existirem pontos em freguesias vizinhas. Ainda assim, para um conjunto significativo de localidades — e para o concelho de Beja entre elas — a redução da rede pode traduzir‑se em restrições reais ao acesso ao dinheiro "vivo".
| Indicador | Valor (final 2025) |
|---|---|
| Pontos de acesso a numerário | ~18.000 |
| Caixas automáticas | ~14.600 (80%) |
| Agências com numerário | ~2.700 |
| Cash‑in‑shop | ~550 |
| Freguesias sem ponto | 1.241 (40% das 3.092 freguesias) |
Face a este panorama, cabe às autoridades locais, instituições financeiras e reguladores avaliar medidas que garantam serviços essenciais à população rural. Para já, o diagnóstico do Banco de Portugal coloca a agenda do acesso a numerário e da coesão territorial entre as prioridades de debate público no distrito de Beja.