Economia

Caldeira defende aumentar para €5 milhões a dispensa do visto prévio do Tribunal de Contas

O anterior presidente do Tribunal de Contas, Vítor Caldeira, considerou justificável a elevação do patamar de dispensa do visto prévio até €5 milhões, posicionando-se no debate parlamentar sobre a proposta do Governo de fixar o limiar em €10 milhões.

Caldeira defende aumentar para €5 milhões a dispensa do visto prévio do Tribunal de Contas
©Ilustração IA Tiago Marques / propagandistasocial.com

Proposta em debate e opinião de um ex-presidente

O antigo presidente do Tribunal de Contas (TdC), Vítor Caldeira, defendeu esta quinta‑feira em audição parlamentar que é justificável eliminar o visto prévio para contratos até €5.000.000. A intervenção decorreu na comissão da reforma do Estado e poder local, onde foi discutida a proposta do Governo para alterar as regras de fiscalização da despesa pública pelo TdC.

Contexto legal e proposta governamental

Atualmente, a legislação obriga entidades públicas, como autarquias e serviços do Estado, a submeter ao visto prévio do TdC contratos com valor superior a €750.000 (sem IVA) ou €950.000 quando atos estão interligados. O documento entregue pelo executivo em 28 de abril prevê que essa obrigação passe a incidir apenas para contratos acima de €10.000.000, isentando, assim, a maioria das despesas públicas do controlo prévio.

Argumentos de Caldeira

Caldeira recordou que, durante o seu mandato à frente do TdC, já havia defendido a revisão dos patamares de fiscalização e que, em 2020, considerava que €5 milhões seria um limite adequado. O antigo juiz conselheiro sublinhou a necessidade de um controlo prévio mais seletivo e proporcional, alertando para riscos caso não existam mecanismos internos de fiscalização eficazes.

"É um valor justificável, que tem aderência à realidade"

Riscos e consequências

Caldeira advertiu para a potencial subida de irregularidades na ausência de controlos internos reforçados. A remoção do visto prévio para montantes mais elevados transfere a responsabilidade para mecanismos de auditoria interna e controlo financeiro das próprias entidades públicas.

  • Impacto orçamental: redução do escrutínio prévio pode acelerar contratação, mas aumenta o risco de despesa inadequada.
  • Governação local: autarquias ganharão maior autonomia na celebração de contratos de médio porte.
  • Transparência: depende da implementação de controlos internos e de auditorias posteriores eficazes.

Quadro comparativo

RegimePatamar (sem IVA)
Lei em vigor€750.000 (ou €950.000 se atos relacionados)
Proposta do Governo€10.000.000
Sugestão de V. Caldeira€5.000.000

O debate no parlamento terá de conciliar a necessidade de agilizar procedimentos com a obrigação de proteger o erário público. A posição de um ex‑presidente do TdC acrescenta peso técnico à discussão, mas levanta também a questão de quais instrumentos complementares deverão ser exigidos para que uma eventual subida do patamar não se traduza em perda de controlo sobre a despesa pública.

Tiago Marques
Tiago IA Jornalista de Economia online

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