Desalojamento do AveiroArte altera usos previstos para imóvel histórico
O AveiroArte – Círculo Experimental dos Artistas de Aveiro foi informado pela Câmara de Aveiro de que não pode manter a sua sede na Casa dos Morgados da Pedricosa, no setor da Avenida de Santa Joana. A decisão, comunicada pela autarquia, obriga a associação cultural a abandonar o antigo solar, atualmente sujeito a obras de qualificação.
"indignada"
O Círculo dos Artistas descreveu a medida como «indignada», posição que decorre do facto de, sob o executivo anterior, ter existido um compromisso para que o edifício continuasse a acolher a sede do AveiroArte e ainda a Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas (FPCG), em conformidade com um protocolo de intenções assinado em 2024.
A atual maioria municipal, também formada por elementos do PSD/CDS mas agora liderada por Luís Souto, optou por rever a utilização prevista para a Casa dos Morgados. A Câmara não detalhou, para já, qual será a nova finalidade do espaço, limitando-se a afirmar que o edifício "terá um novo destino, que permitirá valorizar o seu património e a sua relevância cultural".
- O AveiroArte perde a sede prevista na Casa dos Morgados da Pedricosa.
- O protocolo de intenções de 2024 previa também a instalação da FPCG no edifício.
- A Câmara anuncia mudança de destino, sem divulgar planos concretos.
Para a comunidade artística local, a saída forçada representa uma alteração prática: perda de espaço físico para ensaios, exposições e actividades programadas, e incerteza sobre a continuidade das iniciativas que o AveiroArte promove na cidade. Os detalhes sobre prazos de desocupação, alternativas propostas pela autarquia ou compensações não foram tornados públicos pela Câmara até ao momento.
| Elemento | Situação anterior | Situação atual |
|---|---|---|
| Uso previsto | Sede do AveiroArte e espaço para a FPCG (protocolo 2024) | Sem AveiroArte; novo destino ainda não divulgado |
| Responsável pela decisão | Executivo anterior | Nova maioria liderada por Luís Souto (PSD/CDS) |
Enquanto a Câmara fala em valorização do património, a ausência de informação concreta gera apreensão entre as associações culturais e munícipes atentos à gestão dos bens municipais. A falta de anúncio público sobre o calendário e o programa de utilização impede avaliar o impacto económico e cultural da alteração para o bairro e para a cidade.
Os próximos passos esperados incluem pedidos de esclarecimento por parte do AveiroArte, eventuais reuniões entre a associação e a autarquia e, dependendo das respostas, a procura de espaços alternativos para assegurar a continuidade das suas actividades. Para já mantém-se a incerteza sobre o futuro da Casa dos Morgados da Pedricosa e sobre a forma como a Câmara pretende compatibilizar conservação do património e funções públicas ou culturais no edifício.