A 2.ª reunião extraordinária do Conselho Consultivo de Economia (CCE) da Madeira, realizada no Salão Nobre do Governo Regional, no Funchal, centrou-se esta semana em duas prioridades para o futuro do arquipélago: a economia da longevidade e os desafios da transição energética num território insular.
No eixo da longevidade, António Trindade, fundador do grupo PortoBay Hotels & Resorts e membro do CCE, apresentou o projeto Madeira Longevity & Living, que pretende consolidar a região como um ecossistema europeu de longevidade saudável, articulando saúde, investigação, comunidade, hotelaria e investimento. A proposta defende respostas novas nas áreas financeira, assistencial e académica, bem como a criação de estruturas institucionais dedicadas ao sector.
“Um novo conceito institucional” direcionado para a economia da longevidade, com estadias superiores a 21 dias para atrair visitantes de maior valor e reduzir a sazonalidade turística.
Entre as medidas sugeridas está o incentivo a estadias de longa duração — acima de 21 dias — com o objetivo declarado de diminuir a sazonalidade e transitar da imagem de uma “ilha de férias” para um território onde seja possível “viver melhor e viver mais”. A estratégia inclui ainda propostas concretas, como a criação de uma agência que impulsione projetos-âncora e de uma plataforma público-privada focada na economia da longevidade.
Transição energética: metas europeias e limites sazonais
Na vertente energética, o representante da Empresa de Eletricidade da Madeira (EEM), João Pedro Sousa, informou que a região alcançou, no primeiro trimestre deste ano, a meta europeia de 55% de produção de energia a partir de fontes renováveis. Esse resultado foi atribuído aos investimentos realizados com recurso a fundos comunitários.
João Pedro Sousa destacou, porém, a vulnerabilidade do sistema elétrico regional à sazonalidade: a maior disponibilidade de água e vento no inverno e a dependência da capacidade solar no verão exigem soluções que aumentem a resiliência e a estabilidade do fornecimento.
- Madeira Longevity & Living: proposta para integrar saúde, hotelaria, investigação e investimento.
- Estadias superiores a 21 dias para reduzir sazonalidade e atrair público de maior poder de compra.
- 55% de produção renovável no 1.º trimestre, segundo a EEM, com necessidade de gestão da sazonalidade.
Os debates na reunião do CCE sublinharam a necessidade de uma abordagem integrada: a promoção de um produto de longevidade exige capacitação do setor da saúde, oferta formativa adequada, e envolvimento do setor privado e público; a consolidação das fontes renováveis reclama investimentos complementares em armazenamento, interligação e políticas que antecipem a variabilidade climática e de recursos.
Para os residentes e agentes económicos da Madeira, as propostas significam potenciais oportunidades de diversificação do turismo, atração de investimento e criação de empregos qualificados, mas também a exigência de planeamento e financiamento sustentável. A discussão no CCE adianta-se como ponto de partida para iniciativas que terão de ser operacionalizadas em coordenação com a Secretaria Regional da Economia e com parceiros privados.
| Item | Valor/Observação |
|---|---|
| Meta renovável atingida (1.º trimestre) | 55% |
| Duração proposta para estadias | >21 dias |
| Local da reunião | Salão Nobre do Governo Regional, Funchal |