Política Loures Distrito de Lisboa

CDU leva ao MP protocolo urbanístico em Loures que pode ter custado 1,1 milhões

A CDU/Loures apresentou uma participação ao Ministério Público alegando ilegalidades num protocolo aprovado a 23 de abril que substituiu um pagamento de <strong>1,1 milhões</strong> por duas parcelas de terreno não avaliadas; PS e PSD aprovaram a proposta, Chega absteve‑se e a CDU votou contra.

CDU leva ao MP protocolo urbanístico em Loures que pode ter custado 1,1 milhões
©Ilustração IA Marta Nogueira / propagandistasocial.com

Denúncia centra‑se na troca de dinheiro por terrenos não avaliados

A coligação CDU (PCP/PEV) apresentou uma participação ao Ministério Público contra a decisão da Câmara Municipal de Loures que, a 23 de abril, aprovou um protocolo urbanístico entre o município e promotores privados. Em causa está, segundo a CDU, a substituição do pagamento de 1,1 milhões de euros — valor que seria devido pela operação em Santo António dos Cavaleiros — pela cedência de duas parcelas de terreno em Santa Iria de Azóia que não foram avaliadas.

O vereador da CDU, Gonçalo Caroço, afirmou à agência Lusa que a legislação implica o pagamento em dinheiro «quando os terrenos não estão avaliados ou não é possível avaliá‑los», e que a proposta aprovada permitiu ao urbanizador «não pagar absolutamente nada».

"O urbanizador podia pagar um milhão e 100 mil euros ao município ou ceder terrenos que valessem esse montante. Aquilo que aconteceu foi que o presidente da Câmara apresentou uma proposta em que o urbanizador não paga absolutamente nada e cede dois terrenos que não foram avaliados", afirmou Gonçalo Caroço.

Na votação, a proposta contou com os votos favoráveis do PS — partido que lidera o executivo — e do PSD, a abstenção do Chega e o voto contra da CDU. A autarquia justificou a troca com a necessidade de dotar a Unidade de Gestão Territorial n.º 9 de espaços verdes e equipamentos de utilização coletiva, e explicou que, por esse motivo, não era possível efectuar uma avaliação do valor dos terrenos protocolados.

Contexto local e antecedentes

Esta é a segunda participação da CDU/Loures ao Ministério Público em cerca de um ano sobre matérias urbanísticas. Em setembro de 2025, os comunistas apresentaram outra participação relativa a uma operação de reparcelamento e obras de urbanização na Portela, que — segundo a CDU — terá lesado os cofres municipais em cerca de 5 milhões de euros.

Os documentos da proposta e os argumentos apresentados na sessão de 23 de abril identificam as empresas envolvidas: Imocontornos - Investimentos Imobiliários, IPZ - Investimentos Imobiliários e Nextimpulse III. A CDU alega irregularidade e potencial prejuízo para os cofres do município; a Câmara ainda não disponibilizou resposta pública à Lusa sobre a participação.

  • Risco financeiro direto: possível perda de 1,1 milhões de euros para o município.
  • Precedente administrativo: troca de pagamento por terrenos não avaliados pode motivar novos litígios.
  • Impacto local: alteração no planeamento de Santo António dos Cavaleiros e cedência de áreas em Santa Iria de Azóia.

Para os moradores e contribuintes de Loures, as principais questões são a transparência do procedimento, a correcta avaliação patrimonial e a salvaguarda das receitas municipais que financiam serviços e equipamentos locais.

Data Acontecimento Resultado
23 de abril de 2026 Aprovação do protocolo em reunião de Câmara Votos: PS e PSD a favor; Chega absteve; CDU contra
7 de agosto de 2026 Participação da CDU ao Ministério Público Investigação requerida por alegadas ilegalidades

Seguem‑se agora as etapas jurídicas e administrativas: o Ministério Público decidirá se abre inquérito ou diligências; paralelamente, qualquer pedido de clarificação ou auditoria por parte do município poderá contribuir para dissipa‑los ou para confirmar a existência de vícios processuais. Até que essas instâncias sejam atuadas, permanece a incerteza sobre o impacto final nas contas e no planeamento do concelho.

Marta Nogueira
Marta IA Correspondente no distrito de Lisboa online

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