Perfil e dimensão do fenómeno
O relatório de atividades de 2025 do Instituto da Segurança Social apresenta um retrato complexo do sistema de acolhimento em Portugal: existem 5.987 crianças institucionalizadas e, desse universo, 463 encontram-se em processos ativos de adoção, integrando diferentes fases procedimentais — desde a sentença de adotabilidade até ao período de pré-adoção.
Tendência e distribuição temporal
A redução do número de menores em instituições tem vindo a verificar-se nos últimos anos, ainda que de forma gradual: de 6.446 em 2023 desceu para 6.349 em 2024 e para 5.987 em 2025. Apesar desta trajetória descendente, o volume global de crianças acolhidas mantém uma pressão significativa sobre os dispositivos de proteção e sobre os processos legais de colocação em família.
Fases dos processos de adoção e números-chave
Do total de 463 crianças em processos de adoção, o relatório identifica:
- 124 com sentenças de adoção decretadas;
- 128 que iniciaram período de pré-adoção;
- 209 à espera de proposta de família adotiva.
| Ano | Crianças institucionalizadas |
|---|---|
| 2023 | 6.446 |
| 2024 | 6.349 |
| 2025 | 5.987 |
Capacidade de resposta dos candidatos e tipologia de acolhimento
Em 2025, os serviços registaram 800 manifestações de interesse para adopção e um total de 1.477 processos ativos de candidatos distribuídos pelas várias fases — desde a inscrição até à fase de atribuição. No fim do ano, 482 candidaturas encontravam-se na fase de atribuição de uma criança e apenas 21 eram de pessoas sozinhas.
Relativamente às formas de acolhimento, 462 crianças viviam em família de acolhimento e existiam 520 famílias acolhedoras registadas. O relatório dá ainda conta de 185 decisões transitadas em julgado em 2025, das quais 141 corresponderam a medidas de adotabilidade.
Implicações e áreas de atenção
Os números expostos sinalizam várias questões centrais para a governação das políticas de infância e da tutela social: a necessidade de acelerar processos judiciais e administrativos, de reforçar programas de apoio à reunificação familiar quando possível, e de aumentar a capacidade de adequação entre crianças e famílias adotivas. A existência de candidaturas em fases avançadas sem proposta efetiva evidencia lacunas na articulação entre avaliação de candidatos e o momento de colocação da criança.
Além disso, o relatório assinala processos de busca das origens — acompanhados em 88 casos — que colocam em evidência a importância de garantir direitos de acesso à informação e apoio psicossocial tanto para jovens adotados como para famílias biológicas e adotivas.
Perante estes indicadores, a resposta pública enfrenta o desafio de conciliar proteção imediata com políticas de prevenção e de apoio às famílias, bem como de fortalecer os mecanismos que tornam mais céleres e eficazes as transições para lares permanentes.