Convergência entre investigação e mercado ganha destaque
Na conferência "Matosinhos e a Nova Economia do Mar", que reuniu investigadores, empresas e agentes do ecossistema marinho, houve consenso quanto a um princípio central: a nova economia azul só se afirma se houver uma aproximação efectiva entre ciência, empresas e investimento. Os participantes sublinharam a necessidade de transformar conhecimento acumulado em soluções concretas ao serviço da sociedade.
A investigadora Ana Paula Mucha, do CIIMAR e presidente da direcção do B2E CoLab, realçou o papel das respostas inspiradas na própria natureza para aumentar a resiliência das zonas costeiras. Replantação de florestas marinhas e outras intervenções destinadas a limitar a progressão do mar foram citadas como exemplos de medidas possíveis, sempre acompanhadas por supervisão científica permanente.
“Não podemos ser irrealistas ao ponto de reverter a situação para o que tínhamos inicialmente, mas existem soluções baseadas em processos que permitem otimizar estes processos naturais.”
Além das soluções de natureza restaurativa, a conferência evidenciou a necessidade de capitalizar o conhecimento existente. Foi insistido que sem um fluxo contínuo de investimento público e privado — que permita desde a monitorização até a aplicação industrial de biotecnologias marinhas — muitas das propostas permanecerão no domínio académico.
Do lado empresarial, Paulo Machado, administrador da Ramirez, chamou a atenção para a importância da monitorização como ferramenta preventiva e de gestão: usar tecnologias disponíveis para antecipar problemas e apoiar decisões. Criticou ainda a falta de acompanhamento de certas espécies, mencionando a cavala como exemplo de lacuna na vigilância.
Prioridades e desafios apontados
- Converter investigação em produtos e serviços que beneficiem comunidades costeiras e indústria.
- Assegurar financiamento contínuo para projetos de recuperação e inovação marinha.
- Melhorar a monitorização de ecossistemas e espécies para decisões mais informadas.
A plateia e os oradores realçaram igualmente a relevância das bioengenharias como instrumento para recuperar sistemas naturais, com a ressalva de que tais processos exigem acompanhamento científico constante para garantir eficácia e sustentabilidade. A discussão em Matosinhos traduziu-se, portanto, numa chamada à ação coordenada entre academia, indústria e investidores para que Portugal consiga tirar partido estratégico do seu espaço marítimo.
| Intervenientes | Mensagem principal |
|---|---|
| Ana Paula Mucha (CIIMAR / B2E CoLab) | Recorrer a soluções baseadas na natureza e garantir acompanhamento científico. |
| Paulo Machado (Ramirez) | Reforçar a monitorização e integrar tecnologias para antecipar problemas. |
| Participantes da conferência | Exigir mais investimento e ligação entre investigação e aplicação económica. |
O debate em Matosinhos reforça que a transição para uma economia azul viável em Portugal depende tanto de políticas e financiamento quanto da capacidade de traduzir investigação em soluções práticas. Sem essa articulação, os riscos associados às alterações climáticas e às pressões sobre os ecossistemas marinhos poderão comprometer potenciais benefícios económicos e sociais.