Estudo de longo prazo liga fatores de risco na meia‑idade a anos perdidos sem demência
Uma análise do sistema NYU Langone Health sobre dados do estudo Atherosclerosis Risk in Communities sugere que manter a pressão arterial em valores normais, não ter diabetes tipo 2 e não fumar entre os 45 e os 65 anos pode prolongar em cerca de 13 anos o período de vida sem diagnóstico de demência. A investigação, publicada na revista Neurology, acompanhou 12.409 participantes durante cerca de três décadas.
Os investigadores avaliaram três fatores de risco — hipertensão, diabetes tipo 2 e tabagismo — em adultos com idade média de 56 anos que, na altura do início do acompanhamento, não apresentavam demência. Ao longo do seguimento, quase 3.000 pessoas desenvolveram demência e 5.238 morreram sem a doença.
Os resultados mostram diferenças claras conforme o perfil de risco: os participantes sem nenhum dos três fatores viveram, em média, 30 anos sem demência, contra 17 anos para aqueles com os três fatores identificados. Além disso, o estudo encontrou variações por sexo e etnia, com as mulheres a viverem mais tempo sem demência do que os homens e pessoas brancas a apresentarem mais anos livres de demência do que pessoas negras.
“As nossas conclusões sugerem que as pessoas precisam de evitar ativamente estes fatores na meia‑idade, como estratégia para preservar a saúde cerebral durante mais de uma década”, afirmou Josef Coresh, investigador principal e diretor fundador do Optimal Aging Institute.
Do ponto de vista da saúde pública, estas conclusões sublinham a importância de intervenções precoces e sustentadas sobre fatores de risco modificáveis. Medidas de rastreio e controlo da tensão arterial, programas de prevenção e gestão da diabetes e campanhas antitabágicas na meia‑idade podem ter um efeito substancial não só sobre a morbilidade cardiovascular, mas também sobre a carga futura de demência.
- População estudada: 12.409 pessoas, idade média 56 anos.
- Período de seguimento: cerca de três décadas.
- Principais fatores avaliados: hipertensão, diabetes tipo 2, tabagismo.
| Perfil de risco | Anos médios sem demência |
|---|---|
| Sem os três fatores | 30 anos |
| Com os três fatores | 17 anos |
Os dados não permitem transferir automaticamente os números para outros contextos populacionais sem consideração das diferenças demográficas e do acesso a cuidados, mas oferecem um quadro robusto para justificar políticas preventivas focadas na meia‑idade. Para clínicos e gestores, os achados reforçam a necessidade de integrar esforços de prevenção cardiovascular com estratégias de cuidado do envelhecimento cognitivo.