Instalação não eliminou encaminhamentos interilhas
O Hospital da Horta recebeu em maio um novo aparelho de ressonância magnética financiado pelo PRR, mas, ainda assim, há pacientes do Faial que continuam a ser encaminhados para a ilha Terceira para a realização desse exame, segundo denúncia pública da deputada socialista Inês Sá.
O episódio põe em evidência uma discrepância entre a existência do equipamento e a operacionalidade plena do serviço. Para os utentes afectos ao concelho da Horta, as consequências traduzem‑se em deslocações interilhas, custos adicionais e eventuais atrasos no diagnóstico e tratamento, numa ilha onde o Hospital do Faial ocupa um papel central na resposta à saúde da população.
"Há utentes que continuam a ter de se deslocar para realizar esse exame." — Inês Sá, deputada socialista
Em reacção às críticas, o próprio hospital afirmou que não houve nenhum doente urgente que tenha ficado sem acesso a ressonância magnética. Esta garantia não invalida, contudo, a existência de casos não urgentes que têm sido marcados e tratados fora da ilha, situação que mantém incómodos e encargos para famílias e profissionais de saúde locais.
- Equipamento: Aparelho de ressonância magnética instalado em maio.
- Financiamento: Custeado pelo PRR.
- Problema: Ainda há utentes encaminhados para a Terceira.
| Data | Evento |
|---|---|
| Maio | Instalação do novo aparelho de ressonância magnética no Hospital da Horta |
| Julho | Denúncia pública de encaminhamentos para a Terceira pela deputada Inês Sá |
O contexto regional também é relevante: as ilhas dos Açores dependem frequentemente de referências interilhas para exames especializados. Quando um equipamento chega a uma unidade insular, espera‑se que reduza as saídas de doentes e alivie a pressão logística sobre famílias e serviços. A manutenção desse fluxo de encaminhamentos sugere problemas que podem incluir organização de agendas, formação técnica, certificação do equipamento, protocolos clínicos ou gestão de recursos humanos — pontos que terão de ser clarificados pelas entidades responsáveis.
Para além do impacto directo nos utentes, a situação levanta questões sobre a execução prática de investimentos do PRR nas ilhas e sobre os prazos para a plena operacionalidade de equipamentos de diagnóstico. A transparência na divulgação de motivos e prazos para resolução será determinante para restabelecer confiança entre utentes e administração de saúde local.
Nas próximas semanas, aguarda‑se maior clarificação institucional sobre as medidas a tomar para que o aparelho instalado sirva de facto a população do Faial e reduza as deslocações para a Terceira. Até lá, os utentes e as suas famílias continuarão a lidar com as desvantagens práticas de não poderem realizar o exame na ilha, salvo em situações de urgência, segundo o hospital.